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Festival de Cannes 2026: Confira todos os vencedores

A temporada de premiações começou oficialmente! Em um festival menos badalado do que em anos anteriores, com apenas dois filmes dos Estados Unidos e, infelizmente, nenhum representante brasileiro na seleção principal, o Festival de Cannes 2026 chegou ao fim. O evento, que ocorreu entre os dias 12 e 23 de maio, anunciou neste sábado (23) os seus grandes vencedores, escolhidos a dedo pelos prêmios do júri comandado pelo aclamado cineasta sul-coreano Park Chan-wook.

O grande vencedor da Palma de Ouro, prêmio máximo do evento, foi Fjord, dirigido por Cristian Mungiu. A trama segue os Gheorghiu, uma família norueguesa (com raízes romenas) em busca de mais segurança e estabilidade que decide deixar a Romênia e começar uma nova vida em uma vila remota — onde esbarram em severos embates culturais.

Entre as produções mais elogiadas pela crítica internacional ao longo da maratona, destacaram-se o polonês Fatherland, de Paweł Pawlikowski, que ficou com a maior nota da crítica mundial; o franco-japonês All of a Sudden, de Ryūsuke Hamaguchi; o próprio vencedor romeno Fjord, de Cristian Mungiu; o russo Minotaur, de Andrey Zvyagintsev; e o eletrizante sul-coreano Hope, do diretor Na Hong-jin.

Das raras produções americanas presentes no festival, Paper Tiger, dirigido por James Gray, foi o mais elogiado. A produção conta com Adam Driver, Miles Teller e Scarlett Johansson no elenco. Já o romance The Man I Love, do diretor Ira Sachs, representou os EUA na disputa principal trazendo os talentos de Rami Malek e Rebecca Hall.

Abaixo, você confere a lista completa com todos os vencedores da noite:

Vencedores do Festival de Cannes 2026

– Palma de Ouro: Fjord 🇷🇴 🇳🇴 🇫🇷 🇸🇪 🇩🇰 🇫🇮 — dirigido por Cristian Mungiu

Escrito e dirigido por Cristian Mungiu, com o trabalho de direção de fotografia conduzido por Tudor Vladimir Panduru, Fjord é uma coprodução originária da Romênia, realizada em parceria com a Noruega, Suécia, Dinamarca, Finlândia e França. O elenco principal do primeiro longa-metragem do diretor falado predominantemente em inglês é formado por Sebastian Stan e Renate Reinsve como o casal Mihai e Lisbet Gheorghiu, além de Lisa Carlehed, Vanessa Ceban e Henrikke Lund-Olsen. A trama foca em um devoto casal romeno-norueguês que decide se mudar da Romênia para uma remota vila na Noruega para morar perto da família. Eles rapidamente fazem amizade com os vizinhos Halbergs, mas a harmonia é desfeita quando a filha adolescente dos Gheorghiu, Elia, aparece na escola com hematomas pelo corpo. A comunidade local passa a suspeitar que a rígida educação tradicional e religiosa envolva agressões físicas, desencadeando uma investigação judicial rigorosa que coloca as duas famílias em lados opostos. Consagrado como o grande vencedor da Palma de Ouro, os direitos mundiais de vendas da obra pertencem à distribuidora Goodfellas, com a distribuição na América do Norte e no Reino Unido realizada pela Neon. No Brasil a distribuição é da Diamond Films.


– Câmera de Ouro: Ben’imana 🇷🇼 — dirigido por Marie-Clémentine Dusabejambo

Grande vencedor da Câmera de Ouro — um dos prêmios mais prestigiados do Festival de Cannes, dedicado exclusivamente a celebrar o melhor primeiro longa-metragem (filme de estreia) de um diretor, independentemente da mostra em que tenha sido exibido —, Ben’imana é dirigido por Marie-Clémentine Dusabejambo, que assina o roteiro ao lado de Delphine Agut. Com o trabalho de direção de fotografia conduzido por Mostafa El Kashef, a obra é uma coprodução originária de Ruanda, realizada em parceria com o Gabão, França e Noruega. O elenco principal do primeiro longa-metragem da cineasta autodidata é formado por Clémentine U. Nyirinkindi e Kesia Kelly Nishimwe como a protagonista Vénéranda e sua filha, além de Isabelle Kabano, Arivere Kagoyire e Leocadie Uwabeza. A trama foca em Vénéranda, uma sobrevivente do genocídio de 1994 contra os tutsis que dedica sua vida aos tribunais populares de justiça comunitária e reconciliação em Ruanda. Ela atua como uma defensora fervorosa das sessões de debate entre as vítimas e as famílias dos antigos executores, mas seu mundo sofre um abalo profundo quando sua filha revela uma gravidez inesperada. Ao descobrir a identidade do pai da criança, as feridas e os traumas do passado de Vénéranda são expostos novamente, forçando-a a confrontar as próprias contradições morais e os limites de suas crenças. Os direitos mundiais de vendas no mercado internacional pertencem à distribuidora MK2 Films.


– Grand Prix: Minotaur (Минотавр) 🇫🇷 🇱🇻 🇩🇪 — dirigido por Andrey Zvyagintsev

Grande vencedor do Grand Prix — o segundo prêmio mais prestigioso da Seleção Oficial do Festival de Cannes, que funciona como uma espécie de “medalha de prata” ou vice-campeonato, celebrando obras de imensa excelência, originalidade e domínio técnico que quase levaram a Palma de Ouro —, Minotaur é dirigido por Andrey Zvyagintsev, com roteiro coescrito por ele e Simon Liashenko. Com fotografia de Mikhail Krichman e design de produção de Andrey Ponkratov, o filme é uma coprodução originária da França, Letônia e Alemanha. É o primeiro longa-metragem do diretor após quase uma década de hiato e seu exílio da Rússia.

O elenco principal inclui Dmitriy Mazurov, Iris Lebedeva, Varvara Shmykova, Anatoliy Beliy e Juris Žagars. A narrativa de drama e fábula política é ambientada na Rússia contemporânea em 2022 e acompanha Gleb, um influente diretor executivo que vive à beira-mar. Conectado às elites políticas, ele sofre forte pressão corporativa para conter o pânico financeiro em meio ao caos global. Sua vida rigorosamente controlada entra em colapso definitivo quando ele descobre que sua esposa Galina está tendo um caso extraconjugal. O acúmulo de crises profissionais e traição pessoal empurra Gleb a tomar uma decisão fatídica, acelerando sua queda moral.

Com 138 minutos de duração e consagrado no Festival de Cannes de 2026, o projeto é produzido pela MK Production e CG Cinéma. O filme possui vendas internacionais gerenciadas pela mk2 Films e direitos de distribuição para América Latina e América do Norte adquiridos pela plataforma Mubi.


Melhor Direção (Empate): Javier Calvo & Javier Ambrossi por The Black Ball e Paweł Pawlikowski por Fatherland

The Black Ball (título original: La bola negra) 🇪🇸

Vencedor do prêmio de Melhor Direção — uma das honrarias mais cobiçadas do Festival de Cannes, destinada a celebrar o cineasta (ou, neste caso, a dupla) que demonstra a mais extraordinária visão criativa, domínio narrativo e excelência técnica na condução de sua obra —, The Black Ball é escrito, dirigido e produzido por Javier Ambrossi e Javier Calvo, em colaboração com o roteirista Alberto Conejero.

A obra é uma coprodução originária da Espanha e da França. A parte técnica conta com fotografia de Gris Jordana, montagem de Alberto Gutiérrez, design de produção de Roger Bellés e trilha sonora de Raül Refree. O amplo elenco principal conta com Guitarricadelafuente, Miguel Bernardeau, Penélope Cruz, Glenn Close, Carlos González, Lola Dueñas, Milo Quifes e Antonio de la Torre.

O roteiro inspira-se em um fragmento inacabado de quatro páginas deixado por Federico García Lorca e em elementos da peça La piedra oscura. A trama se passa de forma intercalada entre 1932, 1937 e 2017 para explorar as vidas de três homens gays em diferentes momentos da história espanhola. O enredo atua como uma reivindicação queer transgeracional, relatando desejo, identidade e feridas herdadas que refletem lutas íntimas. Consagrado com a vitória na mostra oficial de Cannes de 2026, o extenso longa de 155 minutos foi desenvolvido pela Movistar Plus+, Suma Content, El Deseo e Le Pacte. As vendas são da Goodfellas, com lançamento na Espanha marcado para 2 de outubro de 2026 sob a distribuição da Elastica Films.

Fatherland (título em alemão: Vaterland) 🇵🇱🇩🇪

Vencedor do prêmio de Melhor Direção — uma das honrarias mais cobiçadas do Festival de Cannes, destinada a celebrar o cineasta que demonstra a mais extraordinária visão criativa, domínio narrativo e excelência técnica na condução de sua obra —, Fatherland é dirigido por Paweł Pawlikowski, com roteiro dele e Hendrik Handloegten.

Com fotografia de Łukasz Żal e figurino de Aleksandra Staszko, a obra é uma coprodução originária da Polônia e Alemanha, envolvendo colaborações da Itália e França. O elenco principal reúne Hanns Zischler, Sandra Hüller, August Diehl, Joanna Kulig, Devid Striesow e Anna Madeley.

O drama, rodado inteiramente com estética visual em preto e branco, se passa no verão de 1949, no auge da Guerra Fria. O enredo mostra o romancista e vencedor do Prêmio Nobel Thomas Mann decidindo retornar à sua terra natal pela primeira vez após 16 anos exilado nos Estados Unidos. Ele embarca em uma viagem de carro a bordo de um Buick preto ao lado de sua filha Erika. O trajeto cruza uma Alemanha completamente devastada pelas ruínas do pós-guerra, indo da cidade de Frankfurt até Weimar. Ao longo do caminho, o escritor é forçado a confrontar não apenas uma pátria geopoliticamente dividida, mas também conflitos morais de sua própria família.

Consagrado com a vitória na mostra oficial do Festival de Cannes de 2026, o longa conciso de 82 minutos é uma produção da Our Films e Extreme Emotions, com direitos de lançamento comercial na América Latina adquiridos pela Mubi.


– Prêmio do Júri: The Dreamed Adventure (Das geträumte Abenteuer) 🇩🇪 — dirigido por Valeska Grisebach

Vencedor do Prêmio do Júri — uma prestigiada honraria da Seleção Oficial do Festival de Cannes, frequentemente considerada a “medalha de bronze” do evento, destinada a celebrar obras de grande originalidade, espírito inovador e que impactaram profundamente o painel de jurados —, The Dreamed Adventure é escrito e dirigido por Valeska Grisebach, com co-roteiro de Lisa Bierwirth.

Com direção de fotografia de Bernhard Keller, montagem assinada por Bettina Böhler e design de produção de Sabina Christova, a obra é uma coprodução originária da Alemanha, França, Bulgária e Áustria. O elenco principal concentra suas atuações nos nomes de Yana Radeva e Syuleyman Alilov Letifov.

Inspirado pelo contexto dos encontros da diretora com pessoas que vivenciaram as transformações políticas na Bulgária após a queda do bloco soviético em 1989, o drama é ambientado na pacata cidade fronteiriça de Svilengrad. A trama acompanha a arqueóloga Veska, que decide ajudar Said, um conhecido cujo carro foi roubado, a chegar ao seu sítio de escavação. À medida que se reconectam, Veska se vê envolvida pelo submundo do comércio ilegal de onde Said emergiu, decidindo assumir o lugar dele e embarcar em uma jornada por esse cenário oculto para confrontar seu passado e desejos.

O filme de 120 minutos marca a estreia histórica — e agora premiada — de Grisebach na disputa principal de Cannes em 2026. Produzido pela Komplizen Film, Kazak Productions, Miramar Film e Panama Film, a obra tem vendas sob a responsabilidade da The Match Factory.


– Melhor Atriz: Virginie Efira & Tao Okamoto por All of a Sudden (Soudain / 急に具合が悪くなる) 🇫🇷 🇯🇵

Vencedor do cobiçado prêmio de Melhor Atriz (concedido em um belo empate para as protagonistas Virginie Efira e Tao Okamoto), All of a Sudden é escrito e dirigido por Ryūsuke Hamaguchi, com co-roteiro de Léa Le Dimna. Com fotografia de Alan Guichaoua e trilha sonora composta por Samuel Andreyev, a obra é uma coprodução originária da França e do Japão, em colaboração internacional com a Alemanha e Bélgica.

O elenco principal do primeiro projeto do cineasta em língua francesa conta com Virginie Efira, Tao Okamoto, Kyōzō Nagatsuka, Kodai Kurosaki e Jean-Charles Clichet. Baseado livremente no livro de não-ficção e troca de cartas reais You and I – The Illness Suddenly Get Worse, das estudiosas Makiko Miyano e Maho Isono, a trama acompanha Marie-Lou Fontaine, diretora de um lar de idosos. Ela tenta introduzir a técnica da “Humanitude”, enfrentando forte resistência da equipe. Sua rotina muda radicalmente ao conhecer Mari Morisaki, uma dramaturga e diretora de teatro japonesa com câncer terminal. Ao desenvolverem uma amizade de apoio mútuo, ambas unem forças para resgatar a dignidade diante dos limites da mortalidade.

O agora premiado longa-metragem de 196 minutos é produzido pela Cinefrance Studios, com direitos de distribuição na América do Norte adquiridos pela Neon.


– Melhor Ator: Valentin Campagne & Emmanuel Macchia por Coward 🇧🇪 🇫🇷 🇳🇱

Vencedor do prêmio de Melhor Ator (concedido em um merecido empate para os protagonistas Valentin Campagne e Emmanuel Macchia), Coward é dirigido por Lukas Dhont, com roteiro desenvolvido por ele e Angelo Tijssens. Com direção de fotografia de Frank van den Eeden e trilha sonora composta por Valentin Hadjadj, a obra é uma coprodução originária da Bélgica, França e Países Baixos.

O elenco principal é formado por Emmanuel Macchia, Valentin Campagne, Mathieu Carpentier e Anaëlle Fournier. A trama de drama de guerra e romance histórico LGBTQIA+ acompanha o jovem soldado belga Pierre, que chega ao fronte da Primeira Guerra Mundial ansioso para provar seu valor. Atrás das linhas de combate, ele conhece Francis, um soldado performático encarregado de organizar peças teatrais improvisadas, danças e apresentações com quebra de padrões de gênero para levantar o moral das tropas. Enquanto a violência do conflito avança, surge um romance afetuoso entre os dois homens, que buscam no teatro e na conexão íntima uma forma de escapar dos horrores da guerra.

O agora premiado longa de 120 minutos foi selecionado de última hora para a mostra competitiva do Festival de Cannes de 2026, com Dhont fazendo história como o primeiro cineasta flamengo a ter seus três primeiros filmes exibidos no festival. A produção é da The Reunion, Versus Production e Topkapi Films, com distribuição na América Latina pela Mubi.


– Melhor Roteiro: Emmanuel Marre por A Man of His Time (Notre Salut) 🇫🇷 🇧🇪

Vencedor do prêmio de Melhor Roteiro no Festival de Cannes, Notre Salut é escrito e dirigido por Emmanuel Marre, marcando seu primeiro longa-metragem como diretor solo. Com direção de fotografia de Olivier Boonjing e edição realizada por Nicolas Rumpl, a obra é uma coprodução originária da França e da Bélgica.

O elenco principal traz Swann Arlaud interpretando o protagonista Henri Marre, além de Sandrine Blancke e Mathieu Perotto. A trama de drama histórico e político é baseada na figura do próprio bisavô do diretor, e se desenrola em setembro de 1940 na cidade de Vichy. O enredo acompanha o engenheiro e autor autodidata Henri Marre, que chega completamente sozinho e falido na cidade, carregando cópias de seu manifesto político Nossa Salvação.

Focado na nova administração do regime autoritário francês, Henri baseia suas convicções em uma metodologia voltada à eficiência absoluta. Disposto a fazer o que for necessário para manter-se útil servindo a nova ordem, suas ambições políticas escondem a verdadeira motivação de fugir de sua ruína pessoal.

O agora premiado longa de 155 minutos fez sua estreia no circuito competitivo do Festival de Cannes de 2026. Produzido em conjunto pela Kidam e Michigan Films, a venda dos direitos de distribuição internacional pertence à Charades.


– Melhor Curta-Metragem: For the Opponents (Para los contrincantes) 🇦🇷 🇲🇽 🇨🇱 — dirigido por Federico Luis

Grande vencedor da Palma de Ouro de Melhor Curta-Metragem, For the Opponents (Para los contrincantes) é dirigido e escrito por Federico Luis, com o trabalho de direção de fotografia conduzido por Marcos Hastrup, montagem de Andres Medina, design de produção de Angela Bravo e desenho de som de Martín García Blaya e Anuar Yahya. O curta-metragem documental é uma coprodução originária da Argentina, do México e do Chile, realizada em parceria com a França.

O elenco principal deste projeto de amadurecimento de 14 minutos de duração é centrado no jovem Damián López, interpretando a si mesmo. A trama foca no perigoso e complexo bairro de Tepito, na Cidade do México, onde Damián persegue o grande sonho de se tornar um campeão de boxe. Com o apoio entusiasmado de seu pai, o garoto enfrenta a dura realidade de seu ambiente enquanto se prepara para encarar um oponente forte nos ringues, precisando buscar lá no fundo a resiliência necessária para lidar com as expectativas e as pressões que carrega nos ombros.

A premiada obra foi desenvolvida em conjunto pelas produtoras Planta Cine, Cárcava Cine, Fiasco e Les Films du Worso.


Abaixo, preparamos um guia rápido com os outros filmes que estiveram na Competição Oficial e o que você pode esperar de cada um deles:

Natal Amargo (Pedro Almodóvar) 🇪🇸

Dirigido e escrito por Pedro Almodóvar, com montagem de Teresa Font, fotografia de Pau Esteve Birba e trilha sonora de Alberto Iglesias, parceiro habitual do cineasta, Natal Amargo é uma produção originária da Espanha. O elenco principal traz Bárbara Lennie no papel de Elsa, Leonardo Sbaraglia como Raúl, além de Aitana Sánchez-Gijón, Milena Smit, Victoria Luengo e Rossy de Palma. A trama, inspirada em um conto do livro autobiográfico “O Último Sonho” (2023), acompanha Elsa, uma diretora de comerciais de sucesso que não consegue lidar com a morte súbita da mãe. Após um ataque de pânico, ela viaja para Lanzarote com a amiga Patricia, deixando o companheiro Bonifácio em Madri. Em paralelo, a história revela que a vida de Elsa é, na verdade, o roteiro sendo escrito por Raúl, um cineasta em crise criativa que funciona como alter ego do diretor, explorando os limites éticos da vampirização da realidade pela ficção. O filme de 111 minutos teve recepção positiva em sua estreia na Espanha em março de 2026, superando a abertura de Mães Paralelas e sendo elogiado pela crítica. O longa tem distribuição da Warner Bros. Pictures e estreia prevista nos cinemas do Brasil para 28 de maio de 2026.


Parallel Tales (título original: Histoires parallèles) 🇫🇷

Dirigido por Asghar Farhadi, que também assina o roteiro ao lado de Massoumeh Lahidji, Parallel Tales é uma coprodução originária da França, em parceria com a Itália, Bélgica e Estados Unidos. O elenco principal é liderado por Isabelle Huppert no papel de Sylvie, acompanhada por Adam Bessa, Vincent Cassel, Pierre Niney, Virginie Efira e conta com uma participação especial de Catherine Deneuve. A história é inspirada no filme Decálogo: Seis, de Krzysztof Kieślowski, e incorpora os impactos sociais deixados pelos atentados de novembro de 2015 em Paris. A sinopse foca na escritora de sucesso Sylvie, que sofre de um forte bloqueio criativo e precisa urgentemente de uma nova história. Em busca de inspiração, ela passa a vigiar a rotina dos vizinhos com o auxílio de um telescópio e contrata o jovem Adam como assistente para sua mudança. Ao compartilhar seus métodos de espionagem e rascunhos com ele, a linha entre a ficção criada por ela e a realidade dos vizinhos começa a se misturar perigosamente. O longa foi desenvolvido com distribuição e lançamento a cargo da Memento Films Production.


Hope (título original: 호프 / Hopeu) 🇰🇷

Escrito e dirigido por Na Hong-jin, sendo seu primeiro longa-metragem após o sucesso de O Lamento (2016), e contando com a direção de fotografia de Hong Kyung-pyo, Hope é uma produção originária da Coreia do Sul. O elenco principal traz Hwang Jung-min como o chefe de polícia Bum-seok, Jung Ho-yeon como a policial Sung-ae, Zo In-sung como o caçador Sung-ki, além de contar com a presença de nomes internacionais como Michael Fassbender, Alicia Vikander, Taylor Russell e Cameron Britton. A sinopse de suspense de ação e ficção científica se passa na remota vila portuária de Hope Harbor, próxima à protegida Zona Desmilitarizada (DMZ). Os moradores são surpreendidos pela suposta aparição de um tigre, mas incêndios florestais devastadores cortam as comunicações com o exterior. Quando caçadores locais decidem rastrear a criatura, percebem que viraram a caça, e o mistério escala rapidamente para uma ameaça extraterrestre existencial que coloca a sobrevivência da vila em risco extremo. Registrado como o maior orçamento de produção da história do cinema sul-coreano, o longa foi produzido pela Forged Films, tem direitos adquiridos pela Neon para a América do Norte e pela Mubi para a América Latina.


Sheep in the Box (título original: 箱の中の羊 — Hako no Naka no Hitsuji) 🇯🇵

Escrito, editado e dirigido por Hirokazu Kore-eda, Sheep in the Box é uma produção originária do Japão, cujo título original faz referência direta à clássica obra literária O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry. O elenco principal deste drama de ficção científica inclui Haruka Ayase e Daigo Yamamoto interpretando o casal Otone e Kensuke Komoto, Rimu Kuwaki no papel duplo do filho Kakeru e do robô humanoide, além de Nana Seino e Hinata Hiiragi. A sinopse é ambientada em um futuro próximo e acompanha a arquiteta Otone e seu marido Kensuke, proprietário de uma construtora. Devastados após o trágico falecimento de seu filho, eles decidem adotar um robô humanoide de última geração construído à semelhança da criança morta. À medida que tentam reestruturar a dinâmica familiar, a convivência com o androide desperta dilemas éticos profundos sobre o luto, a inteligência artificial e os limites humanos para aceitar a perda daqueles que já se foram. O longa de 126 minutos foi produzido pela Gaga Corporation, Toho e AOI Pro, e teve seus direitos para a América do Norte adquiridos pela Neon.


The Unknown (título original: L’Inconnue) 🇫🇷🇮🇹

Dirigido por Arthur Harari, com roteiro assinado por ele ao lado de Lucas Harari e Vincent Poymiro, edição de Laurent Sénéchal e fotografia de Tom Harari, The Unknown é uma produção originária da França e da Itália. O elenco principal é liderado por Léa Seydoux e Niels Schneider, contando também com a presença de Victoire Du Bois, Radu Jude, Valérie Dréville e Lilith Grasmug. O enredo é uma fantasia psicológica e de suspense inspirada na graphic novel Le cas David Zimmerman, escrita pelo irmão do diretor. A sinopse acompanha David Zimmerman, um fotógrafo antissocial de quase 40 anos que raramente sai de casa. Convencido por amigos a ir a uma festa badalada, ele fica completamente obcecado por uma mulher misteriosa no meio da multidão e decide segui-la. Poucas horas depois, ao amanhecer, a vida de David sofre uma transformação radical quando ele acorda preso exatamente dentro do corpo daquela mulher desconhecida. O longa-metragem possui a duração de 139 minutos e foi desenvolvido pela Bathysphère e To Be Continued, com vendas globais e lançamento na França garantidos pela Pathé, e distribuição norte-americana pela Neon.


The Beloved (título original: El ser querido) 🇪🇸🇫🇷

Dirigido por Rodrigo Sorogoyen, com roteiro coescrito em parceria com Isabel Peña e trilha sonora do compositor Olivier Arson, The Beloved é uma coprodução originária da Espanha e da França. O elenco principal traz Javier Bardem como o diretor Esteban Martínez e Victoria Luengo como a atriz Emilia, ao lado de Raúl Arévalo, Marina Foïs, Melina Matthews, Raúl Prieto e Mourad Ouani. A trama de drama psicológico metalinguístico foca em Esteban, um aclamado diretor de cinema com um passado marcado por excessos e violência. Para o seu próximo projeto, um longa de época gravado na ilha de Fuerteventura, ele decide oferecer o papel principal para sua filha Emilia, com quem não tem contato há 13 anos. A convivência forçada nos sets de filmagem obriga pai e filha a confrontarem uma relação estremecida, ameaçando reabrir antigas feridas emocionais. Uma curiosidade técnica da produção é que os primeiros 18 minutos de projeção foram gravados inteiramente em um único plano-sequência no primeiro dia de filmagens. O longa de 135 minutos é produzido pela Caballo Films e Movistar Plus+, com vendas internacionais administradas pela empresa Goodfellas.


The Man I Love 🇺🇸

Dirigido por Ira Sachs, com roteiro escrito em colaboração com Mauricio Zacharias, direção de fotografia de Josée Deshaies e edição de Affonso Gonçalves, The Man I Love é uma coprodução originária dos Estados Unidos e da França. O elenco principal é protagonizado por Rami Malek como Jimmy George, além de Tom Sturridge, Ebon Moss-Bachrach, Rebecca Hall e Luther Ford. O enredo do drama de romance é ambientado na cidade de Nova York no final dos anos 1980 e acompanha Jimmy George, um aclamado ícone e ator de teatro que recebe o diagnóstico de AIDS. Enquanto precisa lidar com a realidade e os impactos de uma doença terminal ao lado de seu companheiro e de um círculo íntimo de amigos artistas, ele decide aceitar o que pode ser o seu último grande papel nos palcos da cidade. O longa-metragem explora ativamente uma janela preciosa que se forma entre a enfermidade e a mortalidade, um momento em que a sede de criar e o amor permanecem. Com 95 minutos de duração, o filme foi produzido pela Big Creek Projects e SBS Productions, as vendas globais são da MK2 Films, com a Memento na França.


Moulin 🇫🇷🇭🇺

Dirigido por László Nemes, com roteiro desenvolvido por Olivier Demangel e direção de fotografia de Mátyás Erdély, Moulin é uma coprodução originária da França e da Hungria, marcando a estreia do cineasta na direção de produções de língua francesa. O elenco principal inclui Gilles Lellouche, Lars Eidinger, Félix Lefebvre e Hans Peterson. O drama histórico biográfico foi rodado inteiramente com estética visual na clássica película de 35 mm e é baseado em eventos reais durante a Segunda Guerra Mundial. A trama acompanha a trajetória de Jean Moulin, um funcionário público enviado de paraquedas à França ocupada para unificar as diferentes facções da Resistência Francesa sob a liderança do General Charles de Gaulle. Apesar de operar nas sombras, ele é traído e capturado em Lyon pela Gestapo. Jogado em um confronto contra o chefe local Klaus Barbie, Moulin enfrenta sessões implacáveis de tortura, onde sua determinação e seu silêncio servem para inspirar a libertação nacional. O longa-metragem de 130 minutos é produzido pela Pitchipoï Productions, Montmartre Films e TF1 Films Productions, com distribuição do Studio TF1, Disney+ e HBO Max.


Histoire de la nuit (título internacional: The Birthday Party / título original: Histoires de la nuit) 🇫🇷

Escrito e dirigido por Léa Mysius, com direção de fotografia de Paul Guilhaume, montagem de Yorgos Lamprinos, design de produção assinado por Esther Mysius e trilha sonora da compositora Florencia Di Concilio, Histoire de la nuit é uma produção originária exclusivamente da França. O elenco principal é composto por Hafsia Herzi, Bastien Bouillon, Tawba El Gharchi, Monica Bellucci, Benoît Magimel, Paul Hamy e Alane Delhaye. O roteiro do drama de thriller psicológico atua como uma adaptação cinematográfica direta do livro de suspense homônimo escrito pelo autor francês Laurent Mauvignier. A história principal acompanha Thomas, sua esposa Nora e a filha adolescente Ida, que vivem de forma isolada em uma fazenda em uma região pantaneira. A única vizinha da família é Cristina, uma pintora italiana. Enquanto todos se mobilizam nos preparativos para organizar a festa surpresa de aniversário de 40 anos de Nora, três homens misteriosos começam a rondar a casa, convidando-se para a comemoração e provocando perturbações que desenterram segredos passados. O filme de 114 minutos foi produzido pelas companhias Les Films de Pierre e F Comme Film, com distribuição francesa da Le Pacte.


Garance (título internacional: Another Day / título em português: Outro Dia) 🇫🇷🇧🇪

Escrito e dirigido por Jeanne Herry, com direção de fotografia realizada por Antoine Cormier, edição conduzida por Laurence Briaud, design de produção de Nicolas de Boiscuillé e trilha sonora composta por Pascal Sangla, Garance é uma coprodução originária da França e da Bélgica. O elenco principal é encabeçado por Adèle Exarchopoulos como a protagonista, acompanhada de Sara Giraudeau, Sarajeanne Drillaud, Anne Suarez e Rudgy Pajany. A trama do drama psicológico acompanha os passos de Garance, uma jovem e talentosa atriz de teatro em Paris que luta para conquistar o reconhecimento enquanto vive financeiramente no limite. Para lidar com crises de ansiedade, instabilidade afetiva e pressões cotidianas, ela passa a buscar refúgio no consumo excessivo de álcool. O enredo explora uma jornada ao longo de um período de oito anos de sua vida, envolvendo mudanças de cidades e novos trabalhos. No meio do caos da dependência, o laço com sua irmã mais nova e um romance florescente com Pauline tornam-se as suas âncoras de salvação. O longa com duração de 120 minutos é produzido pela Chi-Fou-Mi Productions e Artémis Productions, com distribuição pela StudioCanal.


Gentle Monster 🇦🇹🇩🇪🇫🇷

Escrito e dirigido por Marie Kreutzer, com fotografia realizada por Judith Kaufmann, edição assinada por Ulrike Kofler, figurinos de Myrna Wolff e trilha sonora composta pela cantora e musicista francesa Camille, Gentle Monster é uma coprodução originária da Áustria, Alemanha e França, envolvendo colaborações da Suécia e Finlândia. O elenco principal traz Léa Seydoux, Jella Haase, Laurence Rupp e Catherine Deneuve. A história de suspense social foca em Lucy Weiss, uma renomada pianista que abdica de sua carreira de sucesso e se muda com a família para o campo para apoiar o companheiro Philip, que enfrenta um quadro de burnout. O mundo de Lucy desmorona quando descobre que Philip está sob investigação policial por atividades criminosas na dark web ligadas ao abuso de menores. Em paralelo, a investigadora Elsa Kühn lida com o fardo de cuidar do pai idoso com demência. A trajetória das mulheres se cruza enquanto confrontam verdades ocultadas pelos homens. O projeto venceu o Prêmio Internacional ArteKino. Com 114 minutos, é produzido pela Film AG, Komplizen Film e Kazak Productions, com vendas pela mk2 Films e distribuição francesa da Ad Vitam.


Nagi Notes (título original: ナギダイアリー — Nagi Daiarī) 🇯🇵

Escrito e dirigido por Kōji Fukada, com fotografia executada por Hidetoshi Shinomiya, edição de Sylvie Lager e trilha sonora composta por Lee Pei-Chin, Nagi Notes é uma coprodução originária do Japão, operando em conjunto internacional com Singapura, França e Filipinas. O elenco principal traz Takako Matsu, Shizuka Ishibashi, Kenichi Matsuyama, Waku Kawaguchi e Kiyora Fujiwara. O roteiro atua como uma adaptação livre da aclamada peça teatral Tōkyō Notes, escrita por Oriza Hirata. A trama aborda a cidade rural de Nagi, na província de Okayama, onde a escultora Yoriko vive assombrada por dores de um relacionamento amoroso passado. Sua rotina muda com a chegada de sua ex-cunhada Yuri, arquiteta recém-separada que viaja até o local para servir como modelo. O reencontro forçado desencadeia um confronto emocional que as obriga a buscar novas identidades. O enredo possui temática social abordando o crescimento do nacionalismo e a representatividade LGBTQIA+ invisibilizada no interior do país. O longa-metragem de 110 minutos foi produzido pela Hassaku Labs, Survivance, Star Sands e Momo Film Co, o filme terá vendas gerenciadas pela mk2 Films e lançamento no Japão em 25 de setembro de 2026.


A Woman’s Life (título original: La Vie d’une Femme) 🇫🇷🇧🇪

Dirigido por Charline Bourgeois-Tacquet, com roteiro coescrito por Fanny Burdino, produzido por David Thion e com direção de fotografia assinada por Noé Bach, A Woman’s Life é uma coprodução originária da França e da Bélgica. O elenco principal da obra é formado por Léa Drucker no papel de Gabrielle, Mélanie Thierry interpretando Frida, Charles Berling, Laurent Capelluto e Marie-Christine Barrault. A trama da comédia dramática, estruturada narrativamente em onze capítulos definidos, acompanha a vida da dedicada cirurgiã de 55 anos Gabrielle, chefe de departamento em um hospital público. Sobrecarregada pelas imensas responsabilidades e pela crise no setor de saúde, ela quase não tem tempo para administrar o convívio com o marido amoroso e cuidar de sua mãe doente. A rotina muda radicalmente quando Frida, uma jovem romancista, passa a observá-la de perto no ambiente hospitalar para a elaboração de um livro. O encontro afeta o equilíbrio de Gabrielle e a faz questionar escolhas sobre amor e envelhecimento. O projeto de 98 minutos tem as vendas internacionais pela empresa Be For Films, com lançamento oficial na França agendado para 9 de setembro de 2026 pela Pyramide Distribution.


Como Funcionam as Outras Mostras do Festival de Cannes

Se engana quem pensa que o Festival de Cannes se resume apenas à Competição Oficial. O evento funciona como um grande complexo cinematográfico dividido em várias mostras (oficiais e paralelas), cada uma com seu próprio júri, identidade e premiações. Enquanto a mostra principal exige o auge do requinte técnico e do domínio de elementos como montagem e mixagem de som, as outras seções oferecem um respiro de inovação e descoberta.

Aqui estão as principais vitrines que dividem os holofotes na Riviera Francesa:

  • Un Certain Regard (Um Certo Olhar): É a segunda mostra mais prestigiada da Seleção Oficial. Seu foco está em obras com propostas altamente originais, estéticas atípicas e cineastas que desafiam a linguagem tradicional do cinema. É o lugar perfeito para encontrar diretores emergentes com visões de mundo únicas.
  • Quinzaine des Cinéastes (Quinzena dos Cineastas): Uma mostra paralela e totalmente independente, gerida pela Sociedade dos Realizadores de Filmes. Livre das amarras comerciais, ela abriga o cinema de vanguarda, celebrando a liberdade criativa e as narrativas radicais de diretores consagrados ou estreantes.
  • Semaine de la Critique (Semana da Crítica): Dedicada exclusivamente à descoberta de novos talentos. Esta mostra paralela aceita apenas os primeiros e segundos longas-metragens de diretores, funcionando como o grande celeiro dos futuros mestres da sétima arte.
  • Fora de Competição e Sessões Especiais: Nem todo filme vai a Cannes para disputar prêmios. É aqui que entram os grandes blockbusters globais, superproduções de estúdio e espetáculos visuais pensados para as gigantescas telas IMAX. Eles utilizam o tapete vermelho para estreias mundiais de gala, garantindo o glamour, as estrelas hollywoodianas e a atenção midiática.
  • Caméra d’Or (Câmera de Ouro): Um dos troféus mais cobiçados do festival, mas que não possui uma mostra própria. Ele é um prêmio transversal entregue ao melhor primeiro filme (longa-metragem de estreia) de um diretor, independentemente de onde ele foi exibido — seja na Competição Oficial, na Un Certain Regard ou nas Quinzena e Semana da Crítica.

Com essa estrutura multifacetada, Cannes garante que todas as nuances da produção audiovisual sejam contempladas, desde o rigor absoluto das grandes obras-primas até a rebeldia pulsante do cinema independente.

E aí, qual desses filmes já entrou para a sua lista de mais aguardados? O Festival de Cannes 2026 promete entregar obras incríveis e disputas acirradas, e nós vamos acompanhar tudo de perto por aqui e nas nossa redes sociais!

Marcelo Silva

CEO, 26, SP

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