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Supergirl é uma aventura espacial divertida, mas distante da grandiosidade da Mulher do Amanhã (Crítica)

Supergirl é o novo filme da DC Studios dedicado à Kara Zor-El, vivida por Milly Alcock. Na trama, quando um adversário inesperado ataca perto demais de casa, a heroína se une relutantemente a uma companheira improvável em uma jornada interestelar movida por vingança e justiça. O elenco ainda conta com Matthias Schoenaerts, Eve Ridley, David Krumholtz, Emily Beecham, David Corenswet e Jason Momoa.

O longa é dirigido por Craig Gillespie, cineasta responsável por produções como Eu, Tonya, Cruella e Dumb Money, com roteiro de Ana Nogueira, atriz, dramaturga e roteirista conhecida por trabalhos como The Vampire Diaries, The Michael J. Fox Show e Hightown. A produção é assinada por James Gunn e Peter Safran, nomes à frente da nova fase da DC Studios.

Nos bastidores, Supergirl conta com fotografia de Rob Hardy, design de produção de Neil Lamont, figurinos de Anna B. Sheppard e Michael Mooney, supervisão de efeitos visuais de Geoffrey Baumann, supervisão musical de Susan Jacobs, montagem de Tatiana S. Riegel e Fred Raskin, e trilha sonora composta por Claudia Sarne, conhecida por trabalhos como O Livro de Eli, Marcados Para Morrer e Shining Girls. A convite da Warner Bros. Pictures Brasil, o Multi Nerdz assistiu ao filme na pré-estreia oficial realizada em São Paulo, e agora você confere a nossa crítica completa.

Crítica – Supergirl

Eu queria muito sair de Supergirl completamente encantado. Era um dos filmes de super-herói que eu mais aguardava, principalmente porque a aclamada HQ que serve de base para essa adaptação, Supergirl: A Mulher do Amanhã, é, sem exagero, o melhor quadrinho que já li. E talvez esteja justamente aí o maior problema: o filme não é ruim, não é um desastre, não é uma adaptação sem qualidades. Mas, diante do potencial absurdo que tinha em mãos, ele acaba deixando um gosto de oportunidade desperdiçada.

A Mulher do Amanhã é um deleite visual e narrativo. Ela tem uma beleza muito própria, tanto no texto quanto nas cores, nos cenários, nos planetas e na forma como constrói a figura da Supergirl. É uma história que trata a personagem quase como uma entidade vista pelos olhos de alguém comum, alguém tentando entender o que significa conviver com um ser tão poderoso, mas que ainda escolhe caminhar entre nós. Esse olhar é, para mim, uma das coisas mais lindas do material original. E é justamente essa profundidade que senti falta no filme.

A adaptação até tenta capturar parte da essência da HQ, principalmente na ideia de uma aventura espacial caótica, colorida e cheia de personagens estranhos. A comparação com Guardiões da Galáxia é inevitável, mas não em um sentido negativo ou de “cópia”. A própria HQ já tinha essa atmosfera de jornada cósmica. Então, quando o filme abraça esse lado mais divertido, ele funciona. Existe uma energia leve, uma vontade de transformar a história em uma aventura espacial movimentada, e alguns momentos realmente conseguem divertir.

Também existem cenas que emocionam. Quando o filme toca em Krypton, na queda do planeta e no peso que isso carrega para Kara, ele encontra algo interessante. Há uma dor na personagem que poderia render muito mais, mas que ainda aparece em alguns momentos pontuais. O filme também levanta algumas questões feministas que são bem-vindas dentro da trama, ainda que elas pareçam pouco desenvolvidas. Elas estão ali, mas faltou integração, faltou fazer com que esses temas realmente atravessassem a história de forma mais forte.

Um dos grandes acertos está em Milly Alcock como Supergirl. Ela funciona muito bem no papel. Desde A Casa do Dragão, já era fácil perceber o quanto ela tinha presença, e aqui ela confirma isso. Sua Kara tem sarcasmo, humor, certa rebeldia e uma camada dramática que aparece quando o filme permite. Ela entrega bem tanto os momentos mais irônicos quanto as cenas mais emocionais, e dá para sentir que existe ali uma escolha muito acertada de elenco. Milly Alcock parece entender a Supergirl que está interpretando, mesmo quando o roteiro não dá a ela todo o material que poderia dar.

Ruthye também cumpre bem sua função dentro da história, mas a relação dela com Kara não tem o impacto que deveria. Na HQ, essa dinâmica é essencial. É por meio do olhar de Ruthye que a gente entende a grandeza da Supergirl, não apenas como heroína, mas como símbolo. O filme, por outro lado, parece correr demais por essa relação. Falta tempo, falta contemplação, falta aquela sensação de jornada compartilhada que torna o quadrinho tão especial. O terceiro ato, inclusive, reforça essa impressão de pressa, como se a história precisasse chegar logo ao seu destino sem aprofundar o caminho.

Outro ponto problemático é o Lobo, vivido por Jason Momoa. A escalação faz sentido, e visualmente é quase impossível negar que o papel combina com ele. O problema é que a participação do personagem parece solta demais. Ele entra muito mais como fanservice e alívio cômico do que como alguém realmente integrado à narrativa. Talvez para quem só queria ver Jason Momoa se divertindo como Lobo isso seja suficiente, mas dentro da história a presença dele soa perdida. Ele está lá, mas não transforma a trama de verdade.

O vilão também é uma das maiores fragilidades. Krem, na HQ, não é exatamente um grande vilão no sentido clássico. Ele é cruel justamente por ser comum. No filme, porém, há uma tentativa muito forçada de torná-lo nojento, exagerado e repulsivo o tempo inteiro. O resultado é um personagem que parece querer provar em cada cena o quanto é horrível. Isso enfraquece o impacto. Talvez ele funcionasse melhor se fosse mais simples, mais humano e, por isso mesmo, mais cruel.

Visualmente, o filme também decepciona. Não acho que seja feio no nível de alguns exemplares recentes do gênero, como The Flash, nem que sofra sempre com aquele aspecto artificial de fundo verde mal acabado. Mas, para uma adaptação de uma HQ tão linda, o resultado é sem graça. Os cenários, os mundos e as cores não têm o encanto que deveriam ter. Falta aquele impacto visual que faz você sentir que está diante de algo realmente cósmico, estranho e maravilhoso. Em vários momentos, a impressão é de que o filme apenas cumpre a obrigação de ser uma aventura espacial, sem transformar isso em espetáculo.

A trilha sonora segue uma lógica parecida. O tema da Supergirl é interessante, tem uma sonoridade alienígena e futurista que combina com a personagem, mas a trilha como um todo não chega a brilhar. Não existem muitos momentos em que a música rouba a cena ou eleva a emoção do filme. E algumas escolhas musicais específicas parecem simplesmente não combinar com as cenas em que aparecem. Para uma história com tanta personalidade, faltou uma trilha que marcasse mais.

No fim, Supergirl é um filme bacana, divertido em alguns momentos e sustentado por uma ótima escolha de protagonista. Mas também é um filme raso diante do material que adapta. Ele tinha em mãos uma das histórias mais bonitas dos quadrinhos recentes, uma narrativa capaz de discutir a figura do super-herói como mito, como presença quase divina, mas ainda profundamente humana em suas escolhas. A HQ entende que a grandeza da Supergirl não está apenas em seus poderes, mas no fato de que ela poderia estar acima de todos e, ainda assim, escolhe estar entre nós.

O filme até encosta nessa ideia, mas nunca mergulha nela. E é uma pena. Porque não estamos falando de uma adaptação sem valor, e sim de uma adaptação que poderia ser muito maior. Supergirl tinha potencial para ser um dos grandes filmes de super-herói da história. Mas, no resultado final, fica como uma aventura espacial competente, com bons momentos, que ainda passa longe da força, da beleza e da profundidade da Mulher do Amanhã.

Nota: 3,5/5

✍🏽 Marcelo Silva, CEO do Multi Nerdz
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Marcelo Silva

CEO, 26, SP

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