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O Rei da Internet traz a história do maior hacker do Brasil em um ritmo eletrizante e as vezes exaustivo (Crítica)

O Rei da Internet traz a impressionante história real de Daniel Nascimento, um adolescente que, nos primórdios da web no Brasil, se tornou o maior hacker do país. A sinopse acompanha a sua ascensão no submundo dos crimes cibernéticos, onde ele usou o talento para aplicar golpes e fraudes, construindo um império e uma vida de ostentação e excessos. O sucesso ilícito, no entanto, logo o colocou como alvo de uma grande operação da Polícia Federal — e tudo isso antes dele completar 17 anos.

Essa ambiciosa produção nacional conta com a direção de Fabrício Bittar, que também assina o roteiro em parceria com Vinícius Perez. Na frente das câmeras, o elenco é encabeçado por João Guilherme, que assume o papel do hacker, sendo muito bem acompanhado por nomes de peso como Marcelo Serrado e Débora Ozório. A produção do projeto é comandada pela Clube Filmes e Telecine, com a distribuição oficial ficando a cargo da Manequim Filmes (selo da Vitrine Filmes).

Para quem já quer conferir, O Rei da Internet já está disponível e em cartaz nos cinemas brasileiros! Nós fomos convidados para assistir ao filme na pré-estreia oficial que rolou aqui em São Paulo, e agora trazemos a nossa crítica completa.

Crítica – O Rei da Internet

O Rei da Internet chega aos cinemas com uma missão clara – e muito bem-vinda: provar que o cinema brasileiro vai muito além de dramas sobre a ditadura militar ou a pobreza. Entregando uma premissa surpreendente, o longa se consolida como um sopro de ar fresco na nossa indústria, trazendo uma cinebiografia focada no maior hacker da história do país e na origem dos grandes golpistas na era dos primórdios da web no Brasil.

Tematicamente, o filme já se destaca por fugir do óbvio. Embora o cinema nacional tenha excelentes produções sobre a criminalidade, a abordagem cibernética traz um frescor necessário. No centro dessa história real está Daniel, interpretado por João Guilherme. O ator entrega uma boa performance como protagonista, sendo o rosto ideal para a proposta. O elenco de apoio, que conta com nomes de peso como Marcelo Serrado e Débora Ozório, também está bem. Não é um filme que exige atuações dramáticas grandiosas, mas o elenco cumpre seu papel de forma pontual e muito eficiente.

No entanto, o grande protagonista de O Rei da Internet não está na frente das câmeras, mas sim na ilha de edição. A montagem do filme é completamente “maluca” – no melhor sentido da palavra. Desde os primeiros minutos, a direção e a edição trabalham juntas para contar a história de uma maneira extremamente criativa, dinâmica e divertida. Toda a metade inicial do longa é um espetáculo visual e narrativo, figurando facilmente entre os momentos mais divertidos do cinema nacional dos últimos anos.

Porém, é justamente essa maior qualidade que acaba gerando o maior defeito do filme: a falta de fôlego. Fica evidente que o principal objetivo da direção era fugir da monotonia a todo custo. Com um protagonista que é um fenômeno nas redes sociais, o longa parece ter sido desenhado sob medida para a “geração TikTok”. O problema é que, na ânsia de não ser chato, o filme esquece uma regra básica do cinema: às vezes, menos é mais.

Com expressivas 2 horas e 15 minutos de duração, O Rei da Internet se recusa a pisar no freio. A edição frenética, que encanta no primeiro ato, torna-se exaustiva da metade para o final. Faltaram os essenciais “momentos de respiro” para que o espectador pudesse absorver a história e para que a narrativa soasse mais palpável. Para manter esse ritmo acelerado sem cansar o público, o roteiro precisaria de uma enxugada significativa na duração; caso contrário, a direção deveria ter dosado melhor a energia nas cenas finais. Ao tentar fugir do cansaço, o filme ironicamente acaba se tornando cansativo.

Apesar desse tropeço no ritmo, o saldo final é bastante positivo. O Rei da Internet é uma grata surpresa. É uma história real que merecia ser contada nas telonas e que ganha vida por meio de uma produção técnica ousada e diferente de tudo o que estamos acostumados a ver no Brasil. Uma experiência divertida, inovadora e que mostra que o nosso cinema tem fôlego – e criatividade – para explorar qualquer gênero.

Nota: 4/5

✍🏽 Marcelo Silva, CEO do Multi Nerdz
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Marcelo Silva

CEO, 26, SP

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