Monarch T2 entrega visual de cinema e ótima expansão do MonsterVerse na TV (Crítica)
Criada por Chris Black e Matt Fraction, Monarch: Legado de Monstros retorna para sua aguardada segunda temporada expandindo os limites e a mitologia do MonsterVerse da Legendary Entertainment. Produzida em colaboração com a Toho e a Safehouse Pictures, a obra continua a explorar os segredos da misteriosa organização governamental que dá título à série, equilibrando o peso de uma franquia bilionária do cinema com a narrativa cadenciada da televisão. A equipe criativa, comandada pelos showrunners junto a um talentoso time de diretores e roteiristas, mantém o alto nível de produção estabelecido no primeiro ano, entregando um escopo visual raramente visto em produções episódicas e aprofundando o impacto do surgimento dos Titãs na sociedade.
O novo arco traz de volta o elenco principal que guiou o público pelas diferentes linhas temporais da história, incluindo Anna Sawai (Cate), Ren Watabe (Kentaro), Kiersey Clemons (May) e Mari Yamamoto (Keiko). Além disso, o inegável carisma da dupla formada por Kurt Russell e Wyatt Russell, que dividem brilhantemente o papel de Lee Shaw, continua sendo um dos grandes pilares da produção. Somando forças a esse núcleo, a temporada adiciona novos nomes de peso, com destaque para a entrada de Amber Midthunder (como Isabel), que chega para agitar a dinâmica dos personagens e as investigações sobre as anomalias colossais espalhadas pelo globo.
A segunda temporada completa, composta por 10 episódios, já está disponível no catálogo do Apple TV. Nós tivemos a oportunidade de conferir esse novo ano antecipadamente graças à Apple, que nos enviou todos os episódios em primeira mão para avaliação, e agora compartilhamos o que achamos dos rumos e das surpresas que a série preparou.
Crítica – Monarch: Legado de Monstros (2ª Temporada)
A segunda temporada de Monarch: Legado de Monstros chega para consolidar o que a primeira temporada já havia provado: é possível, sim, criar uma história cativante focada nos humanos dentro do MonsterVerse. Enquanto no cinema a regra é suportar os dramas humanos apenas para ver os Titãs saírem no soco, a série da Apple inverte essa lógica com maestria, entregando uma narrativa onde a espinha dorsal são as pessoas, e os monstros são a (belíssima) cereja do bolo.
O maior mérito desta temporada — e da série como um todo — é conseguir o que nenhum filme do Godzilla ou Kong conseguiu até agora: fazer o público se importar com a Monarch e com os seres humanos. É inegável que, nos cinemas, o atrativo principal sempre será a pancadaria colossal. No entanto, em formato episódico, a falta de uma trama humana envolvente seria fatal. Felizmente, a série supera essa expectativa inicial de “falta de ação” e constrói personagens e dilemas que sustentam os episódios com facilidade.
A trama expande a mitologia da série de forma muito inteligente, destacando-se pela introdução do mistério em torno do que podemos chamar de “Titã X”. A ideia de apresentar uma ilha com tribos que endeusam esse novo Titã é um acerto em cheio. Narrativamente, faz total sentido: em um mundo onde bestas colossais caminham pela Terra, é natural que surjam seguidores e seitas que os tratem como divindades. O mistério de como esse Titã se move e quais são seus objetivos guia muito bem a temporada. Além disso, a série explora de forma brilhante a dilatação do tempo no mundo dos Titãs, gerando dinâmicas fascinantes com o retorno de Keiko ao “futuro” após ficar presa.
O legado de Lee Shaw também continua sendo um ponto altíssimo. A escalação de Wyatt e Kurt Russell (pai e filho) para viver o mesmo personagem em épocas diferentes é um charme à parte, e a temporada eleva isso com momentos em que o Lee do passado e o do futuro quase “conversam”, criando uma conexão emocional profunda. Apesar de a conexão de Cate com o “Titã X” e outras tramas internas funcionarem bem para pavimentar a história principal, há pequenos tropeços no elenco. O desenvolvimento de Kentaro, por exemplo, deixou a desejar nesta temporada. Da metade para o final, o personagem se torna um tanto maçante e, mesmo com o potencial de sua interação com a nova personagem Isabel (interpretada pela ótima Amber Midthunder), a subtrama acabou não engrenando como o resto da série.
Se havia qualquer preocupação de que uma série de TV sobre Titãs sofreria com cortes de orçamento e esconderia os monstros no escuro, a Apple fez questão de obliterar essa dúvida. Os efeitos visuais são absurdamente bem feitos. Os Titãs não deixam absolutamente nada a desejar em comparação aos blockbusters do cinema. Embora não tenhamos sequências de ação a cada cinco minutos — o que faz sentido para o ritmo narrativo —, quando as criaturas aparecem, o CGI é impecável e a escala é sentida. Fica evidente o peso do investimento financeiro da plataforma na parte técnica.
Toda essa excelência, no entanto, levanta um questionamento frustrante: por que tão pouca gente está falando sobre Monarch? A Apple tem um histórico recente de produzir ótimas séries na parte narrativa e técnica, mas parece que todo o orçamento foi drenado pela produção e pelos efeitos visuais, não sobrando quase nada para o departamento de marketing. É uma falha de divulgação que prejudica obras fantásticas, pois uma série desse calibre merecia estar dominando as conversas.
No fim das contas, a segunda temporada de Monarch: Legado de Monstros é uma grata surpresa que desafia a fórmula do seu próprio universo. Com efeitos visuais de cair o queixo, uma mitologia expansiva e um drama humano que finalmente funciona, a série se prova indispensável para os fãs. É, sem dúvida, uma das produções mais subestimadas da atualidade e merecia muito mais reconhecimento do que tem.

Nota: 4/5
✍🏽 Marcelo Silva, CEO do Multi Nerdz
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