O Justiceiro: Uma Última Morte é curto, brutal e extremamente eficiente (Crítica)
Depois de anos sendo um dos personagens mais violentos e complexos da Marvel, Frank Castle retorna em O Justiceiro: Uma Última Morte, especial da Marvel Studios lançado no Disney+. A produção traz novamente Jon Bernthal no papel do anti-herói e aposta em uma abordagem mais sombria e psicológica para explorar os traumas e conflitos internos do personagem.
O especial é dirigido por Reinaldo Marcus Green, conhecido por trabalhos como King Richard: Criando Campeãs, Bob Marley: One Love e We Own This City. O roteiro é assinado por Jon Bernthal ao lado do diretor, enquanto o elenco ainda conta com Deborah Ann Woll, Judith Light, Andre Royo e Jason R. Moore. A edição fica por conta de Melissa Lawson Cheung, de The Morning Show e Blindspotting, com trilha sonora composta por Kris Bowers, responsável por trabalhos como Robô Selvagem e Bridgerton.
Na trama, Frank Castle tenta deixar o passado para trás, mas uma nova ameaça o força a retornar ao submundo do crime. Entre violência extrema, traumas antigos e conflitos morais, O Justiceiro: Uma Última Morte busca mergulhar de vez na mente perturbada de um dos personagens mais brutais da Marvel. O especial de 51 minutos já está disponível com exclusividade no catálogo do Disney+ e agora você confere nossa crítica:
Crítica – O Justiceiro: Uma Última Morte
Seguindo os passos de acertos como Lobisomem na Noite e o Especial de Natal dos Guardiões da Galáxia, a Marvel entrega mais um excelente “filme para TV” com O Justiceiro: Uma Última Morte. Com cerca de 50 minutos de duração, a produção prova que o formato de especiais é um dos grandes trunfos atuais do estúdio, entregando uma aventura eletrizante que mantém o espectador na ponta da cadeira.
Para quem temia que a transição dos personagens da Netflix para o guarda-chuva da Disney e da Marvel Studios resultaria em uma versão diluída de Frank Castle, o especial é uma resposta contundente. A violência não foi atenuada; na verdade, ela superou as expectativas. Enquanto Deadpool & Wolverine já havia quebrado a barreira do “para maiores” no cinema, a sanguinolência ali ainda carregava um tom um pouco plástico. Em Uma Última Morte, o sangue e a agressividade parecem mais viscerais e realistas. Tecnicamente superior às antigas séries da Netflix, o especial entrega algumas das melhores e mais bem coreografadas cenas de ação de todo o universo compartilhado.
Um dos grandes acertos da direção é a ambientação. O bairro onde Castle vive foi transformado em um verdadeiro cenário de guerra de gangues. Embora o nível de criminalidade nas ruas pareça beirar o exagero, essa escolha estética funciona perfeitamente ao percebermos que estamos enxergando o mundo através da perspectiva fraturada do próprio Justiceiro. Além disso, a ação bebe diretamente da fonte da franquia John Wick. A dinâmica de um “exército de um homem só” lutando contra o relógio — com uma recompensa por sua cabeça e todos os criminosos da cidade em seu encalço a partir de um horário específico — traz um ritmo frenético e muito bem-vindo à trama.
Infelizmente, é impossível ignorar o deslize técnico que viralizou nas redes sociais: uma infame cena de um segundo em que o rosto do dublê foi substituído por um CGI mal acabado. A cena grita na tela e tira a imersão do espectador momentaneamente. No entanto, é uma pena que um detalhe tão isolado tenha dominado as discussões na internet, ofuscando um trabalho técnico que, de forma geral, é primoroso.
Em termos narrativos, a história não reinventa a roda, e é aqui que surge uma certa sensação de repetição. Vemos Frank passando por um período turbulento, lidando com um pesado estresse pós-traumático e pensamentos suicidas, até ser puxado de volta para a ação por seu instinto inerente, e um tanto distorcido, de proteger inocentes, especialmente crianças. Jon Bernthal continua perfeito e irretocável no papel, entregando a excelência que os fãs já esperam, ainda que a atuação não traga nuances radicalmente novas. A trama deixa o personagem essencialmente no mesmo lugar para suas futuras interações, mas o clímax emocional — onde Castle chooses salvar uma família em vez de buscar vingança contra a vilã — amarra seu mini-arco de forma bastante satisfatória.
No fim das contas, O Justiceiro: Uma Última Morte deixa um forte sentimento de “quero mais”. Pode ser curto demais para quem esperava uma evolução profunda do herói e reciclar alguns temas já vistos nas temporadas passadas, mas a execução técnica impecável, a ação desenfreada e a fidelidade à essência de Frank Castle compensam. É um especial que diverte, empolga e planta a semente da esperança nos fãs: que venha logo um Justiceiro: Renascido para explorar ainda mais todo o potencial desse personagem.

Nota: 4,5/5
✍🏽 Marcelo Silva, CEO do Multi Nerdz
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