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O Drama é uma “comédia romântica dramática” que te faz sentir absolutamente tudo (Crítica)

Em O Drama, acompanhamos o casal Emma (Zendaya) e Charlie (Robert Pattinson) lidando com uma crise inusitada às vésperas de subirem ao altar, logo após uma revelação surpreendente sobre o passado da noiva. A trama promete guiar o espectador por situações inusitadas e desconfortáveis que testam a relação dos protagonistas.

A direção e o roteiro são assinados por Kristoffer Borgli, cineasta norueguês conhecido por explorar os absurdos da vida em Doente de Mim Mesma e O Homem dos Sonhos. O elenco de apoio conta com nomes como Alana Haim e Mamoudou Athie. A montagem dinâmica ficou a cargo do editor Joshua Raymond Lee, com trilha sonora de Daniel Pemberton.

Para preparar o público brasileiro para a chegada dessa obra tão peculiar, fomos gentilmente convidados pela Diamond Films para conferir o filme antecipadamente na cabine de imprensa. O lançamento oficial nos cinemas de todo o Brasil está marcado para a data de 9 de abril de 2026.

Crítica – O Drama

O pior sentimento que um filme pode passar é a indiferença. Às vezes, é melhor assistir a uma obra e odiá-la do que sair da sessão completamente indiferente. O Drama é exatamente o oposto disso, pois é um filme que te faz sentir diversas coisas ao mesmo tempo.

Quando um filme carrega esse título e traz em seus papéis principais nomes de peso como Zendaya e Robert Pattinson, a expectativa imediata do público já se molda: esperamos um Oscar bait denso, feito de monólogos aos prantos e tensões insuportáveis, nos moldes de História de um Casamento. No entanto, a maior e mais grata surpresa da obra é justamente a sua recusa em ser o que se espera dela. Em vez de um drama pesado, o filme nos entrega uma excelente “comédia romântica dramática” que brilha exatamente por não querer ser nada além do que é.

O maior mérito do longa é a sua capacidade impressionante de engatar o espectador em uma verdadeira montanha-russa emocional. Ao final da sessão, a sala de cinema é um reflexo do que a obra propõe: pessoas rindo, pessoas com raiva e, principalmente, pessoas querendo abrir um buraco no chão para se esconder. O filme domina a arte da vergonha alheia — não por ser ruim, mas por emular aquela agonia cômica e inusitada que séries como The Office popularizaram. As situações escalonam para níveis tão bizarros que o desconforto se torna o principal motor da diversão.

No centro desse furacão de emoções, temos performances brilhantes e com muita química. Robert Pattinson assume a maior parte da carga narrativa, entregando um personagem pelo qual você sente raiva, mas cujo lado da história até consegue compreender. Zendaya, que eu particularmente esperava uma presença maior, pois aqui ela atua basicamente como uma coadjuvante, está deslumbrante e rouba a cena sempre que aparece.

A narrativa é impulsionada por um grande segredo envolvendo a personagem de Zendaya. Mesmo que o espectador já saiba o que é (algo que infelizmente vazou antes da estreia), a experiência não perde o brilho. Isso porque o roteiro não se apoia em um plot twist barato; o foco está em como a revelação reverbera na vida dos personagens.

É exatamente nesse segredo que o filme encontra sua principal polêmica. A obra toca em um tema denso e complicado (especialmente no contexto dos Estados Unidos), mas o faz de maneira que alguns podem considerar superficial ou até “leviana”. No entanto, essa é uma escolha deliberada e, ironicamente, uma “crítica rasa no bom sentido”. O roteiro não quer transformar o assunto em uma pauta engessada ou em um sermão social. O tema serve como a bateria da história.

Há piadas e leveza em cima desse assunto pesado, o que compreensivelmente pode gerar gatilhos e incomodar algumas pessoas. Contudo, o cinema também é feito de provocações. Se a sétima arte perder o direito de abordar temas espinhosos com humor e acidez pelo medo de incomodar, ela perde sua essência.

Tecnicamente, o filme é um alívio. Em uma era de blockbusters com durações exaustivas e que muitas vezes soam desnecessárias, O Drama conta tudo o que precisa em menos de duas horas. A edição é o grande destaque técnico: ágil e muito bem construída. Embora tenha uma estrutura linear, a montagem brinca com flashbacks e mescla conversas em locais e tempos diferentes, garantindo que a história, que poderia soar monótona em mãos menos habilidosas, mantenha um ritmo vibrante e dinâmico.

No fim das contas, O Drama não tenta forçar a barra para ser o grande drama concorrente a prêmios na temporada. Ele abraça a sua identidade de “comédia romântica dramática” com um humor ácido e situações embaraçosas, entregando uma das experiências mais completas, autênticas e divertidas do cinema nos últimos anos. Um filme que te faz rir, passar vergonha, raiva, chorar e o mais importante de tudo, sentir.

Nota: 4,5/5

✍🏽 Marcelo Silva, CEO do Multi Nerdz
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Marcelo Silva

CEO, 26, SP

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