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Michael é um presente para os fãs, mas que não faz jus ao rei do pop (Crítica)

A cinebiografia Michael chega aos cinemas com a ambiciosa proposta de retratar a vida e a carreira do maior artista de todos os tempos, acompanhando o Rei do Pop desde os seus primeiros passos com os irmãos no Jackson 5 até a consolidação do seu estrondoso sucesso global. A direção do longa fica por conta de Antoine Fuqua, cineasta responsável por produções intensas como Dia de Treinamento e a franquia O Protetor. O roteiro é assinado por John Logan, aclamado por seus trabalhos em sucessos como Gladiador e O Aviador.

Na parte técnica, a montagem da história foi comandada pelos editores John Ottman (vencedor do Oscar por Bohemian Rhapsody) e Harry Yoon. Já a trilha sonora original é do compositor Lior Rosner, que, naturalmente, divide espaço com os clássicos imortais que definiram a história da música. O elenco é liderado pelo impressionante Jaafar Jackson assumindo a responsabilidade de dar vida ao próprio tio, muito bem acompanhado por nomes de peso como Colman Domingo vivendo o rígido patriarca Joe Jackson, Nia Long como Katherine Jackson e Miles Teller no papel do empresário John Branca.

A produção tem sua data de estreia marcada para o dia 21 de abril de 2026 aqui no Brasil, com distribuição da Universal Pictures. Inclusive, a convite da própria Universal e do Omelete, estivemos presentes na pré-estreia oficial do longa em São Paulo para conferir essa história em primeira mão — e agora trazemos o nosso veredito definitivo.

Crítica – Michael

A cinebiografia Michael carrega o peso monumental da figura que retrata. Com um marketing pesado e a grandiosidade inerente ao Rei do Pop, as expectativas estavam nas alturas — e, infelizmente, o filme não consegue alcançá-las. Para os fãs ardorosos de Jackson, a obra certamente vai agradar, funcionando muito bem como uma grande homenagem. No entanto, como peça cinematográfica que se propõe a contar uma história, talvez falte um pouco de profundidade.

É inevitável traçar um paralelo com Oppenheimer. Enquanto Christopher Nolan subverteu a fórmula monótona da cinebiografia tradicional para entregar algo que transita entre o thriller e o drama de tribunal, Michael carece de um roteiro elaborado que ouse ir além do básico. Ao abordar figuras tão gigantescas, é comum que a produção enfrente polêmicas logo na concepção sobre o que pode ou não ser mostrado. O resultado aqui é um recorte muito seguro e específico da vida e da carreira do cantor. O desenvolvimento foca bastante na relação com o pai, mas tudo é feito de forma “chapa branca” e meio superficial.

Isso afeta diretamente as atuações. Havia uma grande expectativa em torno de Colman Domingo no papel de Joe Jackson — um ator brilhante que já merecia um Oscar em sua carreira. O papel desse patriarca controverso tinha tudo para ser a sua consagração na premiação. Porém, a direção e os roteiristas simplesmente não quiseram explorar a fundo essa complexidade, negando a Domingo um material à sua altura e resultando em uma atuação que acaba soando caricata.

O mesmo dilema atinge Jaafar Jackson. Quando ele assume a “persona” de Michael no palco — dançando e performando —, o resultado é excelente e impressionante. Contudo, nos momentos mais dramáticos, em que o roteiro exige o lado humano e vulnerável por trás da caricatura que o mundo conhece, o ator escorrega. Fica a sensação de que a carga dramática exigida para humanizar o ídolo estava um pouco acima de suas habilidades.

Apesar dos problemas de narrativa, é preciso dar o braço a torcer para o ritmo do filme. Suas 2 horas e 20 minutos de duração passam muito rápido. Tão rápido que, quando o longa termina, o desfecho soa abrupto. Mesmo não sendo o maior conhecedor da vida de Michael, fica a clara sensação de que havia muito mais a ser contado e de que o filme entregou pouco diante de uma vida tão vasta.

No fim das contas, Michael é um presente nostálgico para quem quer reviver a magia dos palcos. Mas para um público um pouco mais “chato”, pode deixar a desejar. Contudo, talvez as altas expectativas tenham sido um erro meu. Talvez eu nem devesse esperar que esse filme chegasse próximo do tamanho de Michael Jackson, até porque, ninguém faz isso.

Nota: 3/5

✍🏽 Marcelo Silva, CEO do Multi Nerdz
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Marcelo Silva

CEO, 26, SP

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