CríticasFilmes

A Odisseia transforma um mito milenar em cinema feito para a posteridade (Crítica)

A palavra “odisseia” há muito deixou de representar apenas o poema atribuído a Homero. Ela se tornou sinônimo de uma jornada longa, grandiosa e cheia de dificuldades, geralmente marcada pelo desejo de voltar para casa. Christopher Nolan compreende o peso desse termo e realiza um filme gigante em todos os sentidos: na história que adapta, na escala da produção, no elenco e, principalmente, nas ideias.

Mas sua grandeza não está apenas na qualidade ou no tamanho do espetáculo. A Odisseia parece diferente em sua própria essência, como se Nolan tivesse reunido tudo o que desenvolveu ao longo da carreira para levar sua maneira de fazer cinema a outro patamar. É um filme que já nasce com a sensação de pertencer à posteridade.

Um elenco à altura do mito

Anne Hathaway aparece em destaque, emocionada e com os olhos marejados, tocando o rosto de Matt Damon em uma cena iluminada por tons quentes do filme ‘A Odisseia’.

O elenco reforça essa dimensão monumental. Mesmo personagens com poucos minutos de tela recebem momentos marcantes. Samantha Morton, como Circe, domina completamente suas cenas. Sua participação é curta, mas poderosa e inquietante. Embora eu não a considere necessariamente a melhor atuação do filme, é fácil entender por que ela está entre as mais elogiadas. Tom Holland, por outro lado, tornou-se um dos nomes mais questionados. Sua atuação como Telêmaco não possui o mesmo impacto de algumas das performances ao redor, mas isso não significa que ele esteja mal. O personagem é um jovem ingênuo, criado sob a ausência do pai e em busca de uma referência paterna. Algumas características podem lembrar Peter Parker, mas também fazem parte do próprio papel. Talvez Nolan tenha escolhido Holland justamente porque essa vulnerabilidade combina com Telêmaco, e o ator entrega bem aquilo que lhe é exigido.

Entre os nomes principais, quem mais deixa a desejar é Jon Bernthal. Seu Menelau parece funcionar no automático, repetindo gestos e uma intensidade que já vimos tanto em Shane, de The Walking Dead, quanto no Justiceiro da Marvel. Caso alguma atuação realmente merecesse ser questionada, seria a de Bernthal, não a de Holland. Robert Pattinson continua demonstrando uma naturalidade impressionante para interpretar homens desprezíveis. Ele não precisa exagerar para provocar repulsa: ocupa a tela com uma arrogância incômoda e transforma seu personagem em alguém fácil de odiar, sem cair na caricatura.

Himesh Patel é uma das grandes surpresas do elenco. Como não possui a mesma projeção de alguns de seus companheiros, a importância de seu personagem foi preservada durante a campanha promocional. Quando seu verdadeiro papel na trama se revela, o impacto é ainda maior. Patel sustenta uma participação decisiva e entrega uma das melhores atuações do filme. John Leguizamo também merece destaque como Eumeu, o leal companheiro de Odisseu. É outro personagem com pouco tempo de tela, mas que deixa uma impressão muito forte. Leguizamo transforma sua lealdade em algo verdadeiramente emocionante e faz de Eumeu uma das presenças mais marcantes entre os coadjuvantes.

O filme também responde, por meio das próprias imagens, a algumas das polêmicas relacionadas ao elenco que surgiram antes do lançamento. Elliot Page aparece como Sínon, descrito por Odisseu como o “jovem mais valente que já conheceu”. Depois de todo o preconceito direcionado ao ator por ser um homem trans, existe algo especialmente poderoso em ver o maior herói da narrativa reconhecer a coragem daquele personagem. Algo semelhante acontece com Lupita Nyong’o como Helena de Troia. A atriz enfrentou ataques racistas desde que sua escalação foi anunciada, mas Nolan não reduz Helena a uma imagem silenciosa ou a uma simples justificativa para a guerra. Mesmo aparecendo pouco, Lupita oferece presença, personalidade e voz. O filme ainda faz questão de reafirmá-la como o “rosto capaz de mover mil navios”.

Essas escolhas não apagam todas as limitações que Nolan historicamente apresentou ao escrever mulheres, mas demonstram um avanço considerável. A maior prova disso é Penélope. Anne Hathaway entrega, para mim, a melhor atuação de A Odisseia. Penélope sustentou Ítaca durante vinte anos, mas sabe que todo esse poder pode ser ignorado assim que seu filho for reconhecido como homem. Quando afirma que décadas no trono ainda valem menos, para aquela sociedade, do que os primeiros pelos no rosto de Telêmaco, o filme expõe a crueldade de um sistema construído para apagar sua autoridade.

Hathaway transforma essa indignação em força, medo, inteligência e vulnerabilidade. Suas cenas com Holland estão entre as melhores do longa, especialmente quando mãe e filho discutem o futuro de Ítaca. Penélope não é apenas a esposa que espera o retorno do marido, mas uma governante tentando sobreviver em um ambiente no qual seu poder é constantemente questionado e no qual foi transformada em refém dentro da própria casa.

Zendaya também aparece pouco, mas sua presença como Atena é fundamental. Durante boa parte da história, ela observa Odisseu com uma expressão de julgamento, como uma lembrança que ele ainda não consegue compreender por inteiro — e nós, como público, também não. O filme preserva esse mistério até o final, quando explica com maestria o significado de sua presença e transforma todas as aparições anteriores da personagem.

Matt Damon está excelente como Odisseu. Sua interpretação encontra um herói quebrado, carregado pelo cansaço, pela culpa e pelas consequências de suas próprias decisões. Damon não o interpreta apenas como um grande guerreiro ou como o homem mais inteligente do ambiente. Ele encontra as rachaduras por trás do mito. Odisseu deseja voltar para casa, mas cada obstáculo de sua jornada o obriga a encarar uma parte de si mesmo que tentou abandonar em Troia. É um personagem conhecido pela genialidade, mas que precisa lidar com o fato de que sua maior criação também foi responsável por uma destruição inimaginável. Damon entrega uma das atuações mais completas de sua carreira.

O cavaleiro das trevas

Benny Safdie caracterizado como Agamenon, usando uma imponente armadura negra e capacete de crista alta, diante de uma fortaleza iluminada por tochas e cercado por soldados em uma cena de ‘A Odisseia’.

Agamenon, vivido por Benny Safdie, é um personagem que parece existir, em muitos momentos, para aquilo que a internet passou a chamar de “farmar aura”. Ele aparece pouco, mas cada entrada é construída para causar impacto. Nolan toma uma decisão acertada ao praticamente não mostrar o rosto de Safdie. Como o ator possui uma expressão naturalmente mais leve, até um pouco abobalhada, sua presença é construída principalmente pela silhueta, pela postura e pela atuação física.

Sua armadura preta foi questionada por não ser historicamente realista, mas Nolan não parece preocupado com isso — e ainda bem. A armadura não é apenas uma roupa: ela comunica quem Agamenon é. As comparações com Batman e Darth Vader fazem sentido porque, de certa forma, ele é o cavaleiro das trevas desta história. Sua silhueta representa guerra, ambição e poder.

Agamenon é o rei que sacrificou a própria filha em troca de ventos favoráveis. É também o homem que utilizou o acontecimento envolvendo Helena como justificativa para conduzir os gregos até Troia, eliminar um inimigo e ampliar seu domínio. Mais do que defender a honra do irmão, ele queria se tornar o rei de tudo.

Por isso, é tão interessante a cena posterior à queda de Troia em que Agamenon escolhe um caminho aparentemente mais fácil e Odisseu decide não acompanhá-lo. A separação não é apenas geográfica, mas moral. Odisseu não quer se transformar em um homem capaz de sacrificar a própria filha e abandonar qualquer escrúpulo em nome do poder. Ao se afastar de Agamenon, ele tenta rejeitar esse caminho das trevas.

A máquina por trás do épico

Christopher Nolan durante as gravações de ‘A Odisseia’, agachado ao lado de uma caveira cenográfica e de uma estrutura metálica em chamas, com escadarias e integrantes da equipe ao redor.

A dimensão técnica acompanha a escala do elenco. A decisão de filmar toda a produção em IMAX não serve apenas para ampliar paisagens ou exibir o tamanho do orçamento. Ela cria uma verdadeira experiência de imersão, fazendo o espectador sentir o peso do mar, das embarcações, das batalhas e das criaturas encontradas durante a viagem. Essa escolha também traz um desafio. As limitações das câmeras IMAX exigem tomadas relativamente curtas, de no máximo três minutos, e uma quantidade maior de cortes, inclusive nas cenas de diálogo. Em uma narrativa tão extensa, isso poderia resultar em um filme fragmentado ou cansativo.

É justamente nesse ponto que o trabalho de Jennifer Lame se torna essencial. Ela é a montadora dos três filmes mais recentes de NolanTenet, Oppenheimer e A Odisseia — e também foi uma das montadoras de Pantera Negra: Wakanda Para Sempre, um filme que enfrentou muitos problemas nos bastidores, mas do qual eu gosto muito. Costuma-se dizer que, por trás de muitos grandes diretores, existe uma grande montadora. Isso vale tanto para Christopher Nolan e Jennifer Lame quanto para Martin Scorsese e Thelma Schoonmaker. Lame impede que uma história formada por tantas aventuras, personagens e períodos pareça apenas uma sucessão desconectada de episódios. Também encontra espaço para os elementos da Ilíada, incluindo a Guerra de Troia, e para a longa viagem de Odisseu, sem transformar tudo em uma aula de mitologia.

O resultado é um filme surpreendentemente dinâmico. Suas quase três horas passam sem que a duração se torne um peso. A palavra “odisseia” virou sinônimo de uma viagem longa e desgastante, mas o filme nunca se torna desgastante para o espectador. A jornada dura anos; a experiência cinematográfica avança com uma fluidez impressionante.

A trilha sonora de Ludwig Göransson também merece destaque. Como álbum completo, talvez não possua a mesma variedade ou a presença constante da trilha de Oppenheimer. Nolan opta por uma utilização mais contida, permitindo que muitas cenas existam sem que a música precise conduzir todas as emoções. Ainda assim, o tema de Odisseu, “Odysseus”, é extraordinário. Quando surge durante a sequência ligada à invasão de Troia e à revelação envolvendo Atena, música e imagem se tornam inseparáveis. Talvez não seja a melhor trilha completa da carreira de Göransson, mas esse tema específico já nasce como um clássico do cinema moderno.

Ludwig poderia ter feito o básico para um épico desse tamanho, recorrendo a uma grande orquestra tradicional, mas ele nunca faz o básico. Em vez disso, mergulhou na pesquisa histórica e buscou instrumentos ligados ao período em que a narrativa se passa, como o aulo e a lira, combinados a gongos de bronze, vozes e sintetizadores. O objetivo não era apenas acompanhar as imagens, mas tentar imaginar como aquele mundo antigo poderia soar. Essa dedicação não é novidade em sua carreira. Em Pantera Negra, Göransson mergulhou em tradições musicais africanas para construir o som de Wakanda. Em Pantera Negra: Wakanda Para Sempre, voltou-se para culturas maias e mesoamericanas, pesquisando instrumentos e sonoridades ao lado de músicos e arqueólogos musicais. Já em Pecadores, foi a vez de se aprofundar no blues.

Não é segredo para ninguém o talento de Göransson para mergulhar em uma cultura e transformá-la em música sem reduzi-la a um elemento decorativo. Com três Oscars no currículo — por Pantera Negra, Oppenheimer e Pecadores —, não seria surpresa se A Odisseia o colocasse no caminho de uma quarta estatueta. Göransson já ocupa seu lugar entre os grandes compositores da história do cinema e ainda parece estar longe de alcançar seu limite.

A experiência em IMAX também vai além do tamanho da tela. A escala das imagens e, principalmente, o desenho de som fazem o espectador sentir que está dentro do barco ao lado da tripulação. Algumas sequências incorporam elementos próximos do terror e utilizam o som para provocar um impacto quase físico. É uma das experiências mais imersivas que Nolan já realizou.

A Lei de Zeus e o pecado de Odisseu

Guerreiro grego golpeia uma estátua de Atena, provocando uma explosão de faíscas no rosto da escultura, em uma cena iluminada por tons quentes de ‘A Odisseia’.

O verdadeiro centro da obra, porém, não está em sua escala, mas na chamada Lei de Zeus: o princípio de que estrangeiros e visitantes devem ser recebidos com respeito, pois qualquer desconhecido pode ser uma divindade disfarçada. É uma ideia mitológica que Nolan transforma em um paralelo direto com o presente. Como tratamos quem chega à nossa casa? Como recebemos o estrangeiro? O que nossa relação com o outro revela sobre nós? A jornada de Odisseu é construída ao redor da violação desse princípio.

Em muitas adaptações, o Cavalo de Troia representa uma vitória da inteligência: o grande golpe de um herói brilhante que encontra a solução para encerrar uma guerra. Nolan desconstrói essa imagem. Seu Cavalo de Troia não é apenas uma estratégia genial. Ele é a bomba atômica de Odisseu. A relação com Oppenheimer é inevitável. Os dois protagonistas são homens extraordinariamente inteligentes que criam algo acreditando que estão fazendo o necessário. Somente depois percebem as verdadeiras consequências de suas invenções.

Odisseu queria encerrar a guerra, salvar seus companheiros e voltar para casa. Para isso, entregou a uma cidade um presente dedicado a uma divindade e utilizou aquele símbolo de confiança para provocar sua destruição. Ele não apenas descumpriu a Lei de Zeus: ele a profanou da maneira mais cruel possível. O Cavalo é recebido como um presente, mas se transforma em uma arma. A grande criação de Odisseu não apenas destrói Troia; ela perverte tudo aquilo que a hospitalidade representa.

Nolan transforma essa culpa na força que acompanha o protagonista durante toda a viagem. Seu sofrimento não nasce apenas dos obstáculos colocados em seu caminho. Existe um julgamento acontecendo. Odisseu é confrontado com as vidas destruídas por sua inteligência e com aquilo que tentou deixar para trás.

É nesse contexto que a personagem de Zendaya se torna fundamental. Na minha interpretação, a forma assumida por Atena pertence a uma jovem ligada ao seu templo, morta e decapitada durante a invasão da cidade. Quando o filme conecta seu rosto à imagem da estátua profanada, tudo ganha um novo significado. Atena não está apenas guiando Odisseu. Ela assume o rosto de uma das vítimas para obrigá-lo a encarar seus pecados. É uma das cenas mais impactantes do filme e uma das imagens mais fortes que Nolan já criou. A revelação não funciona apenas como surpresa narrativa. Ela concentra todo o discurso da obra sobre culpa, guerra, hospitalidade e responsabilidade.

Odisseu passa a ser perseguido não por uma abstração divina, mas pelo rosto humano das consequências de seus atos. Cada aparição de Atena deixa de ser apenas uma intervenção de uma deusa e passa a representar a memória daqueles que morreram em Troia. Essa culpa também se conecta à recusa de Odisseu em seguir o caminho de Agamenon. O protagonista não queria se tornar um rei sem escrúpulos, mas a destruição de Troia demonstra que ele também foi capaz de cruzar limites terríveis. A diferença é que Agamenon parece ter aceitado completamente as trevas, enquanto Odisseu ainda consegue sentir o peso delas.

A trilogia da posteridade

Matt Damon caracterizado como Odisseu aparece em silhueta diante de uma cidade em chamas, cercado por guerreiros durante uma cena noturna de ‘A Odisseia’.

A relação com Oppenheimer também permite enxergar uma conexão fascinante entre os três trabalhos mais recentes de Nolan. Algumas pessoas já definem Tenet, Oppenheimer e A Odisseia como a “trilogia da posteridade”. Em Tenet, o personagem de John David Washington literalmente não possui um nome: ele é identificado apenas como O Protagonista. Isso não é apenas uma brincadeira metalinguística. Ele trabalha nas sombras para impedir que uma espécie de bomba destrua o mundo, mas está condenado ao anonimato. Como o próprio filme afirma, ninguém se lembra da bomba que não explodiu.

Nos dois filmes seguintes, Nolan realiza o movimento contrário. Oppenheimer e A Odisseia carregam em seus títulos os nomes dos protagonistas — de forma direta no primeiro caso e por derivação no segundo — e acompanham os homens responsáveis pelas “bombas” que realmente explodiram e transformaram o mundo. O primeiro cria a bomba atômica; o segundo concebe o Cavalo de Troia. Ambos permanecem para sempre na história, mas precisam conviver com a culpa e com as consequências de suas criações. Enquanto O Protagonista impede a explosão e desaparece da memória, Oppenheimer e Odisseu permitem que ela aconteça e permanecem na posteridade.

Antes de voltar para casa

Mãos seguram um pequeno broche metálico com a figura da deusa Atena em primeiro plano, durante uma cena de ‘A Odisseia’.

Depois da revelação envolvendo Atena, a batalha contra os pretendentes não alcança o mesmo impacto. A sequência possui boas imagens, mas se prolonga além do necessário. A quantidade de adversários torna alguns momentos confusos e nos faz questionar até onde a capacidade de Odisseu consegue chegar. Nada disso, porém, apaga o desfecho. O filme parece preparar uma conclusão trágica, como se Nolan fosse matar seu protagonista assim que ele finalmente encontrasse o caminho de casa. Felizmente, rejeita essa solução mais óbvia. A Odisseia permite que seu herói tenha um final feliz, ainda que marcado por perdas que jamais poderão ser desfeitas.

No fim, A Odisseia é um filme sobre receber o estrangeiro, compreender o peso de nossas escolhas e perceber que nenhuma inteligência nos torna imunes às consequências. É uma história que reconhece um homem trans como o jovem mais valente que seu herói conheceu, reafirma uma mulher negra como o rosto que moveu mil navios e entrega a Penélope uma força que vai muito além da espera pelo marido. Acima de tudo, porém, A Odisseia é uma história sobre voltar para casa.

Odisseu atravessa mares, enfrenta monstros, deuses e homens, mas sua jornada mais difícil acontece dentro dele. Antes de recuperar Ítaca, precisa reconhecer aquilo que fez. Antes de reencontrar sua família, precisa encarar quem se tornou. Antes de encontrar o caminho de casa, precisa finalmente encontrar a si mesmo. Christopher Nolan transforma uma história de aproximadamente três mil anos em algo profundamente ligado ao nosso presente, sem retirar dela sua dimensão mitológica. A Odisseia não é um filme perfeito, mas sua grandeza não depende da perfeição. Um clássico do cinema moderno desde o primeiro dia. Diferente, poderoso e feito para a posteridade.

Nota: 5/5

✍🏽 Marcelo Silva, CEO do Multi Nerdz
Letterboxd | Instagram | Twitter

Marcelo Silva

CEO, 26, SP

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *