A Noiva é mais um delírio a dois (Crítica)
A Noiva! (The Bride!), o novo thriller gótico escrito e dirigido por Maggie Gyllenhaal, que chegou aos cinemas brasileiros no dia 5 de março de 2026, com distribuição da Warner Bros. Pictures.
Na trama, ambientada na Chicago dos anos 1930, acompanhamos um solitário Frankenstein (vivido por Christian Bale) que busca a ajuda da cientista pioneira Dra. Euphronius (Annette Bening) para criar uma companheira para si. Juntos, eles conseguem reviver uma jovem mulher assassinada, dando origem à Noiva (interpretada pela talentosíssima Jessie Buckley). O que eles não esperavam é que a criatura fugisse completamente do controle de seus criadores. Ela desenvolve uma identidade forte e desejos próprios, desencadeando um romance selvagem, atraindo a atenção de mafiosos e da polícia, e questionando o seu lugar em um mundo que tenta silenciá-la.
Além do trio principal, a produção traz um elenco de peso com nomes como Penélope Cruz, Peter Sarsgaard e Jake Gyllenhaal. O longa é produzido pela própria diretora, Maggie Gyllenhaal, em parceria com Emma Tillinger Koskoff, Talia Kleinhendler e Osnat Handelsman-Keren.
Crítica – A Noiva!
O novo longa de Maggie Gyllenhaal, A Noiva, chega aos cinemas entregando uma atmosfera inegavelmente familiar. Logo de cara, o filme exala uma “vibe Coringa“, o que está longe de ser um demérito. Na verdade, a diretora parece ter mergulhado de cabeça não apenas na estética do vilão, mas em toda a essência do universo do Homem-Morcego para construir sua narrativa. As semelhanças não são mera coincidência e funcionam como um grande atrativo estético da obra. Maggie Gyllenhaal, por exemplo, já habitou esse universo como Rachel Dawes em O Cavaleiro das Trevas. Além disso, o elenco traz rostos conhecidos de produções recentes da DC, como atores de O Pinguim e The Batman, incluindo um detetive investigativo que evoca imediatamente a figura clássica do Comissário Gordon.
Outro ponto alto que reforça essa conexão é a trilha sonora. Com um tom envolvente, a música é assinada por Hildur Guðnadóttir, a mesma compositora de Coringa e Coringa: Delírio a Dois, o que intensifica essa atmosfera densa e marginal. Seguindo essa mesma linha, a dinâmica social do longa também dialoga profundamente com Gotham. Assim como Arthur Fleck, a Noiva acaba se tornando um símbolo para a parcela marginalizada e despejada da cidade, arrebanhando seguidores em um cenário noturno e dominado por mafiosos. O sentimento constante é o de estar assistindo a uma história paralela investigativa focada em dois vilões clássicos.
Onde o filme escorrega, no entanto, é naquilo que ele tenta dizer. A proposta de transformar a Noiva em um símbolo de revolta feminina contra uma sociedade patriarcal — que silencia e descarta mulheres, um tema que até lembra a dinâmica da Mulher-Gato — é excelente. O problema é a execução, que acaba ficando muito no raso. O roteiro não desenvolve essa premissa para um patamar mais instigante, desperdiçando o potencial da própria mensagem. É inevitável não fazer um paralelo com o recente Pobres Criaturas, que abordou o mito de Frankenstein sob uma ótica feminista com muito mais contundência e profundidade. A relação do Frankenstein com a Noiva é de fato muito interessante e funciona bem, mas o peso da narrativa vai se diluindo com o tempo.
Se a mensagem deixa a desejar, a atuação principal compensa o ingresso. Jessie Buckley reafirma seu status como uma das melhores atrizes de sua geração, entregando um papel maluco, diferente de tudo que já fez e absolutamente cativante. Pensando nas apostas para a temporada de premiações, não seria nenhum absurdo cravar o nome de Buckley entre as fortes concorrentes ao Oscar, mesmo sabendo que lançamentos no início do ano sempre esfriam um pouco na longa corrida pela estatueta. O talento dela em tela é inegável e merece os holofotes.
Em resumo, A Noiva pode decepcionar quem busca um filme com uma mensagem superpoderosa ou inovadora sobre o papel da mulher na sociedade. No entanto, se você curte a estética opressiva e a dinâmica investigativa desse universo urbano, a direção de arte e as atuações vão garantir o entretenimento. Vale a pena, nem que seja apenas para testemunhar Jessie Buckley arrebentando em tela mais uma vez.

Nota: 3,5/5
✍🏽 Marcelo Silva, CEO do Multi Nerdz
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