Peaky Blinders e o adeus corrido a um legado imortal (Crítica)
O aguardado desfecho de uma das séries mais influentes dos últimos anos finalmente chegou com Peaky Blinders: O Homem Imortal, que estreou globalmente no catálogo da Netflix no dia 20 de março de 2026, após exibições limitadas nos cinemas do Reino Unido. O longa-metragem dá um salto no tempo e nos joga diretamente em 1940, durante os dias sombrios da Segunda Guerra Mundial em Birmingham. Na trama, encontramos um Thomas Shelby mais velho e isolado, tentando deixar seu passado de sangue para trás. No entanto, o avanço da guerra e a crescente ameaça nazista o forçam a sair do exílio para um último e explosivo acerto de contas.
Para dar vida a essa conclusão, a produção conta com o retorno do vencedor do Oscar Cillian Murphy ao seu icônico papel de protagonista. O elenco também traz grandes adições, destacando-se Barry Keoghan no papel de Duke Shelby, além de astros como Rebecca Ferguson, Tim Roth e Jay Lycurgo. Os fãs de longa data ainda são presenteados com o retorno de figuras conhecidas e amadas da franquia original, incluindo Sophie Rundle (Ada Thorne), Stephen Graham (Hayden Stagg), Ned Dennehy (Charlie Strong), Packy Lee (Johnny Dogs) e Ian Peck (Curly).
Nos bastidores, o roteiro é assinado por Steven Knight, o próprio criador do universo de Peaky Blinders e responsável por trabalhos recentes como a série House of Guinness. A direção fica a cargo de Tom Harper, um velho conhecido da família Shelby, já que dirigiu episódios da primeira temporada da série, além de comandar longas como As Loucuras de Rose e Agente Stone. Juntos, eles assumiram a difícil missão de amarrar as pontas soltas e encerrar a trajetória da lenda de Tommy Shelby nas telas.
Crítica – Peaky Blinders: O Homem Imortal
A primeira sensação que Peaky Blinders: O Homem Imortal transmite é a de ser um season finale de uma temporada que nós nunca assistimos. Para quem acompanhou a série há muitos anos, o salto temporal para a Segunda Guerra Mundial te joga um pouco de paraquedas nesse universo transformado. A conexão inicial com os personagens é mais difícil, deixando a sensação de que você está um pouco perdido e de que faltou um pouco mais de respiro para nos readaptar àquele mundo. Talvez, para quem reassistiu à série recentemente, a imersão funcione melhor.
Apesar desse distanciamento inicial, o filme acerta em cheio onde não podia errar: na estética e na aura. A atmosfera inconfundível de Peaky Blinders e a presença magnética de Tommy Shelby estão de volta com força total. A proposta de ambientar a trama na Segunda Guerra Mundial, colocando os nazistas como os grandes antagonistas, é um enorme acerto. Como eles representam o mal absoluto na história da humanidade, a simples presença deles como vilões já confere um peso e uma força naturais à narrativa.
Nesse cenário, Cillian Murphy entrega mais uma atuação brilhante, provando por que nasceu para dar vida a esse personagem. Outro destaque positivo é a presença de Barry Keoghan no papel de Duke Shelby (filho de Tommy), que ganha um arco interessante dentro da trama, mesmo que seu personagem, assim como o filme em si, precisasse de um pouco mais de tempo de tela para respirar.
O grande calcanhar de Aquiles da obra é justamente o ritmo. Um mito desse tamanho precisava de mais tempo de desenvolvimento. Tudo soa um pouco corrido e jogado. A parte final, especialmente o desfecho e a derrota dos nazistas, acontece rápido demais, tirando parte do impacto que a conclusão exigia.
Isso nos leva ao ponto culminante: a morte de Tommy Shelby. Estamos falando de um dos maiores personagens da cultura pop moderna — todo mundo já ouviu falar de Peaky Blinders e reconhece o rosto de Tommy. O filme até traz flashbacks rápidos da série que conseguem arrancar emoção, mas, pelo peso do personagem, o momento derradeiro soa apressado.
Ainda assim, o conceito de “O Homem Imortal” se consolida de forma poética. A ideia principal é que, mesmo com a morte física do corpo de Tommy, a sua lenda sobrevive. Ele continuará vivo no imaginário do povo e da cultura pop, um feito que os criadores da série e a atuação formidável de Cillian Murphy garantiram.
No fim das contas, Peaky Blinders: O Homem Imortal termina com um saldo positivo. Não alcança a grandiosidade ou o brilhantismo dos melhores momentos da própria série, e fica o sentimento persistente de que o encerramento merecia mais. Contudo, mesmo com a sensação de termos perdido os episódios que antecederam este desfecho, é uma despedida que respeita e eterniza o legado da família Shelby.

Nota: 3,5/5
✍🏽 Marcelo Silva, CEO do Multi Nerdz
Letterboxd | Instagram | Twitter
