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Marty Supreme e a persona escrota (e com muito carisma) de Timothée Chalamet (Crítica)

Dirigido por Josh Safdie, que também assina o roteiro ao lado de Ronald Bronstein, o filme é o novo grande acerto da produtora A24. A produção conta com nomes de peso nos bastidores, incluindo Eli Bush, Anthony Katagas, além dos próprios Safdie, Bronstein e do protagonista Timothée Chalamet.

A trama nos transporta para a Nova York da década de 1950 para acompanhar a trajetória de Marty Mauser (Timothée Chalamet), um jovem vendedor de sapatos absurdamente ambicioso que sonha em se tornar o maior campeão mundial de tênis de mesa. Vagamente inspirado na lenda real do esporte, Marty Reisman, o longa funciona menos como um filme tradicional de esportes e mais como um estudo de personagem frenético. Acompanhamos um protagonista manipulador e disposto a tudo para vencer, o que o leva a uma série de situações absurdas, esquemas e a um envolvimento complexo com a rica ex-atriz e socialite Kay Stone, interpretada por Gwyneth Paltrow.

O filme começou sua jornada de sucesso estreando de surpresa, como uma exibição secreta, no prestigiado Festival de Cinema de Nova York (NYFF) em outubro. Desde então, a recepção calorosa da crítica se transformou em vitórias importantes. O longa já garantiu os prêmios de Melhor Ator em Comédia ou Musical no Globo de Ouro e Melhor Ator no Critics’ Choice Awards, ambos consagrando a performance arrebatadora de Chalamet, além de levar o prêmio de Melhor Montagem pela Associação de Críticos de Los Angeles (LAFCA).

Chegando com força máxima na cerimônia do Oscar, Marty Supreme conquistou impressionantes 9 indicações da Academia:

  • Melhor Filme
  • Melhor Direção (Josh Safdie)
  • Melhor Ator (Timothée Chalamet)
  • Melhor Roteiro Original (Josh Safdie e Ronald Bronstein)
  • Melhor Fotografia (Darius Khondji)
  • Melhor Montagem (Josh Safdie e Ronald Bronstein)
  • Melhor Figurino (Miyako Bellizzi)
  • Melhor Design de Produção (Jack Fisk)
  • Melhor Direção de Elenco (Jennifer Venditti)

Com todo esse peso nas costas, será que o filme entrega tudo o que promete? Confira a nossa crítica a seguir.

Crítica – Marty Supreme

Quem já estava com as expectativas altas por conta do histórico do diretor com o aclamado Joias Brutas pode respirar fundo — ou melhor, prender a respiração. Marty Supreme herda exatamente a mesma vibe frenética de seu predecessor, entregando uma experiência cinematográfica dinâmica, imersiva e que não te deixa piscar. Desde os primeiros minutos, fica claro que estamos em território conhecido. O filme é um exercício constante de adrenalina, construído sobre uma edição acelerada e uma sensação de correria contínua. É aquele tipo de cinema que te deixa na ponta da cadeira, acompanhando o desespero e a ambição de seus personagens em tempo real.

Se em Joias Brutas tínhamos Adam Sandler tentando, a todo custo, manipular o mundo ao seu redor para sair por cima, aqui esse bastão é passado para Timothée Chalamet. E que transição brilhante. O trabalho conjunto de roteiro, direção e atuação constrói Marty como, para colocar em termos simples, um “completo escroto”. Ele é manipulador, maluco e disposto a qualquer coisa para vencer na vida. No entanto, é aqui que mora a mágica do filme: Chalamet imprime um carisma tão absurdo ao personagem que é impossível não se importar com ele. Por pior que sejam suas atitudes, nós nos pegamos torcendo por suas vitórias, e essa dubiedade é o verdadeiro motor do longa.

Além de toda essa adrenalina e da força do protagonista, Marty Supreme faz uma crítica muito afiada à ilusão do sonho americano — aquela velha promessa de que basta se esforçar ao máximo para conseguir ser alguém na vida. O longa desconstrói essa ideia mostrando que a realidade é bem mais cruel. A trajetória de Marty escancara que, mesmo que você lute e até passe por cima de outras pessoas para chegar ao topo, o sucesso não é uma garantia. Muitas vezes, o que sobra é acabar à mercê de indivíduos com muito mais dinheiro e poder, que não hesitam em te usar e te humilhar, pura e simplesmente pelo prazer de exercer sua superioridade.

Chalamet não apenas consolida sua persona de estrela de Hollywood, mas entrega uma das melhores atuações de sua carreira. Se as indicações aos prêmios e o eventual Oscar chegarem, será um reconhecimento mais do que justo a essa capacidade de nos fazer amar um personagem tão problemático.

Como um bom filme que flerta com o gênero de esportes, a cena do jogo é de tirar o fôlego, coroando a montanha-russa que é a trama. Mas o que realmente eleva Marty Supreme a outro patamar é o seu epílogo. A cena final, onde Marty segura seu filho recém-nascido, é uma aula de subtexto e emoção contida. Ao vê-lo chorar, o filme nos deixa com um questionamento genial: seria um choro de amor, de alguém deslumbrado e genuinamente emocionado com a paternidade? Ou é um choro de desespero, a constatação trágica de que ele terá que abandonar suas loucuras, sua liberdade e seus maiores sonhos para cuidar daquela criança?

Essa resposta não nos é entregue de bandeja. O personagem é tão redondo e cheio de camadas que essa ambiguidade não soa como uma falha do roteiro, mas sim como a reflexão perfeita sobre quem ele é. Marty Supreme se consolida facilmente como um dos melhores filmes da atual temporada de premiações. É divertido, alucinante e, em sua reta final, surpreendentemente emocionante. Um triunfo para os fãs de filmes esportivos pouco convencionais e a prova definitiva do talento de seu protagonista.

Nota: 5/5

✍🏽 Marcelo Silva, CEO do Multi Nerdz
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Marcelo Silva

CEO, 26, SP

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