Jovens Mães — o melhor roteiro em Cannes que realmente merece aplausos (Crítica)
Estreou nos cinemas brasileiros no dia 1º de janeiro, com distribuição da Vitrine Filmes, o drama Jovens Mães (Jeunes Mères). O longa é o mais recente trabalho dos renomados cineastas Jean-Pierre e Luc Dardenne e chega com prestígio: foi o escolhido como o representante da Bélgica na corrida pelo Oscar de Melhor Filme Internacional desta temporada, além de ter conquistado o prêmio de Melhor Roteiro no Festival de Cannes.
Sinopse – Jovens Mães
A trama acompanha um grupo de cinco mães adolescentes — Jessica, Perla, Julie, Ariane e Naïma — que vivem juntas em um abrigo para maternidade na cidade de Liège, Bélgica. Diferente dos filmes anteriores da dupla, que geralmente focam em um único protagonista em crise, este é um filme coral (mosaico). A trama entrelaça as lutas diárias dessas jovens para cuidar de seus bebês (ou decidir se os entregam para adoção), lidar com o passado traumático (vício, abandono familiar) e tentar construir um futuro, tudo sob a supervisão de assistentes sociais.
Crítica – Jovens Mães
O novo longa dos irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne, Jovens Mães, chega com peso: é o representante da Bélgica na corrida pelo Oscar e venceu Melhor Roteiro em Cannes. E o roteiro merece mesmo muitos aplausos. A trama é um “filme coral” que acompanha cinco mães adolescentes. Havia um risco real de a conexão se perder com tantas protagonistas, mas o filme equilibra o tempo de tela magistralmente, criando um laço suave com cada uma e evitando que a identificação se dilua.
A direção mantém a assinatura dos Dardenne com uma estética crua e documental. A câmera está sempre na mão, seguindo as personagens de perto, criando intimidade imediata. Para ampliar o realismo, Jovens Mães praticamente abole a trilha sonora, deixando que o silêncio e o som ambiente ditem o tom. Outro acerto é o elenco: a maioria das atrizes são estreantes. O que poderia ser um problema vira o maior trunfo, trazendo uma naturalidade impressionante e necessária para a trama.
Ainda sobre o elenco, preciso fazer uma menção honrosa aos bebês: são, sem dúvida, os melhores “atores bebês” que já vi no cinema. Essa autenticidade reforça a abordagem do tema. Jovens Mães não romantiza a maternidade, mas também não vilaniza nem santifica essas jovens. Ele é cru e real. O roteiro brilha por não ser expositivo; as informações sobre o passado das garotas surgem organicamente. O que não é essencial, a gente nem precisa saber.
Essa elegância narrativa evita o apelativo. Há uma cena exemplar onde uma personagem, ex-viciada, tem uma recaída. Jean-Pierre e Luc Dardenne optam por não mostrar o ato, focando apenas na perspectiva do namorado. É um momento que poderia ser gráfico, mas a escolha pela sugestão funciona muito melhor. Acompanhamos os altos e baixos dessas vidas, avaliando quem está “se encaminhando melhor”, até que o filme subverte nossas expectativas sem ser forçado.
No fim, Jovens Mães não tenta ser um quebra-cabeça complexo cheio de reviravoltas. É um roteiro teoricamente simples, mas executado com perfeição absoluta. O filme cumpre aquele que, para mim, é o maior objetivo da arte e do cinema: ele te toca, te emociona e gera identificação genuína. Você termina a sessão se importando e torcendo por cada uma daquelas garotas. É um destaque imperdível.

Nota: 4/5
✍🏽 Marcelo Silva, CEO do Multi Nerdz
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