Sorry, Baby te faz chorar, rir e querer adotar um gato (Crítica)
Se você acompanha o circuito de festivais, provavelmente já ouviu falar de Sorry, Baby. O longa, que marca a estreia de Eva Victor na direção (ela também assina o roteiro e protagoniza), começou sua jornada fazendo barulho no Festival de Sundance em janeiro de 2025, onde levou para casa o prestigiado Waldo Salt Screenwriting Award de Melhor Roteiro.
Desde então, a produção da A24 vem ganhando força na temporada de premiações. O filme já garantiu indicações importantes, incluindo Melhor Atriz em Drama no Globo de Ouro e Melhor Roteiro Original no Critics’ Choice Awards e no Gotham Awards. Especialistas de mercado já apontam o roteiro de Victor como um forte candidato a uma vaga no Oscar 2026, destacando a obra como uma das surpresas “sleepers” (aqueles filmes menores que crescem no boca a boca) do ano. No Brasil, Sorry, Baby estreou no dia 11 de dezembro, com distribuição da Mares Filmes. (confira o Instagram deles para verificar disponibilidade de salas).
Crítica – Sorry, Baby
Em sua estreia na direção, Eva Victor entrega em Sorry, Baby uma obra que equilibra dois sentimentos aparentemente opostos: a capacidade de ser profundamente tocante e, ainda assim, genuinamente engraçada e carismática. É um trabalho notável, especialmente considerando que ela também atua como protagonista, segurando o filme com uma performance magnética.
A premissa é pesada e exige um aviso de gatilho. A trama gira em torno da personagem de Eva tentando lidar com uma situação de abuso sexual. É um tema delicado e, embora eu reconheça que, como homem, este não é meu “local de fala”, a narrativa é construída de uma forma que dialoga universalmente. O filme expõe as dificuldades terríveis que vítimas enfrentam — não apenas o crime em si, mas o calvário de processar o trauma, o medo do julgamento social, a cultura de culpar a vítima e a exaustiva burocracia da busca por justiça.
No entanto, o grande trunfo de Sorry, Baby é a escolha consciente da diretora em não se render puramente ao peso do drama. O filme poderia facilmente ter seguido por um caminho denso e depressivo, mas Eva Victor prefere focar na leveza e na humanidade da personagem. A história destaca a força da amizade e a capacidade de reconstrução.
Vemos uma personagem que, mesmo após passar por uma das piores experiências possíveis, busca algo em que se segurar — seja o apoio de uma amiga leal ou até o conforto de um gatinho. O roteiro nos lembra que sobreviver não é apenas sobre a dor; é sobre a resiliência de continuar sendo você mesmo.
No fim das contas, Sorry, Baby acaba sendo uma obra muito mais “fofa” e inspiradora do que puramente trágica. O filme encerra com uma cena belíssima, onde a protagonista olha para a recém-nascida da amiga e é honesta: avisa que o mundo vai machucá-la e decepcioná-la, mas garante que ela sempre terá com quem contar. É uma mensagem necessária, que nos ensina a respeitar a dor do outro, mas que, acima de tudo, mostra como é possível manter o brilho, mesmo quando o mundo tenta apagá-lo.

Nota: 4/5
✍🏽 Marcelo Silva, CEO do Multi Nerdz
Letterboxd | Instagram | Twitter
A corrida pelo ouro está só começando! Se você quer ficar por dentro de tudo o que rola na temporada de premiações, o lugar é aqui. Nós do Multi Nerdz faremos a cobertura completa rumo ao Oscar 2026.
Inclusive, já conferiu a nossa lista com os indicados ao Globo de Ouro? O post já está no ar! Para não perder nenhuma análise, crítica ou aposta do nosso bolão, acompanhe a gente em todas as frentes: inscreva-se no nosso canal do YouTube, siga nosso Podcast na sua plataforma favorita e fique ligado nas nossas redes sociais. Vem com a gente que a temporada promete!
Confira nosso vídeo com análise dos indicados ao Globo de Ouro:
